Relatório da União Europeia revela que o Primeiro Comando da Capital (PCC) busca expandir suas operações na Europa, formando células em parceria com organizações criminosas locais, especialmente em rotas de tráfico de cocaína.
O Primeiro Comando da Capital (PCC) busca criar células em países da Europa, segundo relatório da União Europeia (UE) publicado nesta sexta-feira, 26. O documento afirma que a facção brasileira mantém parceria com organizações criminosas europeias, principalmente em rotas de entrada de cocaína, e aponta indícios de que tenta ampliar sua presença no continente, inclusive para lavar dinheiro.
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A avaliação faz parte de um estudo sobre as organizações criminosas consideradas mais ameaçadoras para a UE. No capítulo dedicado à América Latina, o relatório destaca o PCC e o grupo colombiano Clan del Golfo como duas das facções que mantêm conexões com redes criminosas instaladas na Europa.
O relatório afirma ainda que esses grupos controlam todas as etapas do tráfico de cocaína. Para isso, utilizam empresas legais como fachada e recorrem à corrupção e à intimidação para facilitar suas operações.

Apesar de mencionar indícios sobre a criação de células na Europa, o relatório faz uma ressalva. Segundo a agência, isso não significa que o PCC tenha levado para o continente a mesma estrutura de comando e funcionamento que mantém na América Latina.
O documento da UE afirma que a ligação entre cartéis latino-americanos e organizações criminosas europeias ocorre, principalmente, por meio de parcerias. Por isso, conclui que essa cooperação não representa a transferência da hierarquia, do modo de atuação nem do uso da violência característicos desses grupos para o território europeu.
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O estudo também explica que a forte presença de organizações criminosas latino-americanas na Europa está ligada ao tráfico internacional de cocaína. Como a América Latina concentra grande parte da produção mundial da droga, os cartéis da região mantêm contato frequente com grupos responsáveis por receber e distribuir os carregamentos na Europa.
Segundo o relatório, um de cada cinco grupos criminosos considerados perigosos pela UE tem algum tipo de ligação com a América Latina. Ao todo, são 149 redes que atuam em ambos os continentes ou contam com integrantes latino-americanos.
Para a agência, essas organizações formam um sistema de cooperação internacional em que diferentes grupos trabalham juntos quando isso favorece seus interesses. O documento afirma que o principal objetivo dessas alianças é ampliar os lucros e manter a continuidade das atividades criminosas.
Relatório reforça diagnóstico do Ministério Público
A avaliação da agência da UE vai ao encontro de um mapeamento elaborado pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), que identificou a presença do PCC em 28 países distribuídos por pelo menos quatro continentes.
Segundo o levantamento, a facção tinha 2 mil integrantes identificados no exterior, dos quais metade estava presa. O documento afirma que o grupo passou a se infiltrar em presídios de outros países para recrutar novos integrantes e ampliar atividades como tráfico de drogas, tráfico de armas e lavagem de dinheiro.
Na Europa, o MPSP registrou integrantes do PCC em Portugal, Espanha, França, Holanda, Bélgica, Inglaterra, Irlanda, Suíça e Sérvia. Portugal aparecia com o maior número de integrantes identificados (87), seguido por Espanha (26) e França (11).
Confira o relatório na íntegra
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