O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou a visita oficial do presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, nesta segunda-feira (27), em Brasília, para fazer ataques ao que classifica como “setores extremistas”. Durante declaração conjunta à imprensa, Lula afirmou que Brasil e Coreia do Sul compartilham experiências de defesa das instituições democráticas e reforçou a importância do diálogo e da cooperação internacional.
Ao destacar a trajetória pessoal dele e do presidente sul-coreano, Lula afirmou que ambos chegaram ao comando de seus países após superarem dificuldades sociais e políticas.
“Quem conhece as dificuldades da vida aprende cedo o valor de cada oportunidade. Nós dois viemos da pobreza, e hoje temos o compromisso de melhorar a vida de cada cidadão e cada cidadã. De cada estudante e de cada trabalhador. Sabemos que a educação, o trabalho e a democracia podem mudar o destino de uma pessoa e de um país”, declarou em um pronunciamento à imprensa.
Na sequência, o presidente afirmou que Brasil e Coreia do Sul tiveram de proteger suas democracias diante do que classificou como ações de grupos radicais.
“Ambos soubemos defender nossas democracias frente aos ataques de setores extremistas. Seguiremos construindo um mundo regido pelo diálogo, pelo respeito entre as nações e pelo fortalecimento do multilateralismo. A paz e o desenvolvimento não nascem da imposição, nascem da cooperação”, afirmou.
Lula não detalhou a quais grupos se referia ao utilizar a expressão “setores extremistas”, mas, desde o começo deste terceiro mandato, costuma empregar essa classificação para se referir a parte da oposição de direita.
A menção também ocorreu em um contexto de aproximação com a Coreia do Sul, país que atravessou recentemente uma crise política após a tentativa do então presidente Yoon Suk Yeol de decretar lei marcial, o que levou ao seu afastamento do cargo e antecedeu a eleição de Lee Jae-myung.
Além das referências à democracia, Lula destacou a transformação econômica e tecnológica da Coreia do Sul nas últimas décadas. O petista ainda ressaltou o crescimento da influência cultural sul-coreana no Brasil, citando o aumento do interesse pela língua coreana, pelos doramas, pelo cinema e pelo K-pop.
“Poucos países transformaram sua realidade com tanta rapidez e consistência. Em algumas décadas, o investimento em educação, inovação e capacidade industrial fizeram da Coreia uma referência mundial”, afirmou.
Na área econômica, Lula defendeu o aprofundamento da parceria bilateral e afirmou que o comércio entre os dois países deverá crescer nos próximos anos – foram US$ 11 bilhões em 2025. Segundo ele, Brasil e Coreia do Sul decidiram criar um grupo de trabalho para destravar as negociações de um acordo entre o Mercosul e o país asiático, além de ampliar a cooperação em áreas estratégicas, como inovação, indústria, saúde e defesa.
Ao fim da visita oficial, Brasil e Coreia do Sul firmaram cinco instrumentos de cooperação, entre eles estão memorandos de entendimento nas áreas de educação e tecnologia industrial, acordos para ampliar a cooperação em tecnologias da saúde, incluindo diagnósticos e medicamentos.
Também acertaram a criação de um grupo de trabalho para acelerar as negociações entre Mercosul e Coreia do Sul e o compromisso para a realização de uma missão sanitária sul-coreana ao Brasil, considerada pelo governo brasileiro um passo decisivo para a abertura do mercado coreano às exportações de carne produzida no país.


