O Tribunal de Apelação da França condenou a fabricante Airbus e a companhia aérea Air France por homicídio culposo nesta quinta-feira, 21. Os magistrados europeus apontaram as duas empresas estatais como as únicas culpadas pela queda do voo AF447, que despencou no Oceano Atlântico em 2009. A decisão encerra uma longa batalha jurídica travada por familiares das 228 vítimas da tragédia.
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A nova sentença impõe a punição financeira máxima prevista pela legislação francesa para esses casos. Cada uma das companhias terá de pagar uma multa de € 225 mil, o equivalente a cerca de R$ 1,3 milhão. O veredito atende ao pedido formulado pelos promotores de Justiça franceses ao término de um julgamento, que se estendeu por oito semanas.
Falhas em sensores e congelamento no ar
O avião sumiu das telas dos radares em 1º de junho de 2009, enquanto realizava a rota internacional entre a cidade do Rio de Janeiro e a capital Paris. A aeronave, modelo Airbus A330-200, transportava passageiros de 33 nacionalidades, sendo a maior parte formada por brasileiros, francesas e alemães. As equipes de resgate só conseguiram localizar e resgatar as caixas-pretas do fundo do mar dois anos depois do desastre.
Os investigadores oficiais do órgão de aviação francês concluíram que os sensores de velocidade da aeronave, conhecidos como sondas Pitot, congelaram durante uma forte tempestade perto da Linha do Equador. O defeito técnico desorientou os sistemas automáticos. A tripulação reagiu de forma errada aos alarmes e colocou o avião em uma situação de estol, quando o aparelho perde a sustentação e cai de bico.
Treinamento fraco e alertas ignorados
A Promotoria concentrou a denúncia na negligência dos dois gigantes do setor da aviação. Os investigadores provaram que a Air France falhou ao não fornecer treinamento adequado para que seus pilotos soubessem como agir em panes de leitura de velocidade em altitudes elevadas. A empresa também ignorou o histórico de incidentes parecidos que já haviam acontecido em outros voos da sua frota.
A Airbus recebeu a condenação por ter subestimado os defeitos crônicos de fabricação nas sondas Pitot. Os diretores da fabricante esconderam a gravidade dos problemas técnicos e demoraram para enviar comunicados de alerta às companhias aéreas que operavam os jatos. Para o Ministério Público, a união dos erros das duas marcas criou as condições certas para provocar o pior desastre aéreo da história francesa.
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