Itamaraty confirma dois brasileiros mortos após terremotos na Venezuela

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil informou nesta quinta-feira (25) que dois cidadãos brasileiros morreram em decorrência dos terremotos que atingiram a Venezuela nesta quarta. O Itamaraty afirmou que não divulgará informações pessoais dos falecidos.

“O MRE informa, com grande pesar, o falecimento de uma cidadã e um cidadão”, publicou o órgão, que ainda afirmou “estar prestando assistência consular às famílias das vítimas”.

O território venezuelano foi atingido pelo terremoto mais forte no país em mais de um século. Os tremores de magnitude 7,2 e 7,5 destruíram prédios, causaram ao menos 188 mortes e deixaram mais de 1.500 feridos. Pelo menos 200 pessoas estariam presas sob escombros, segundo o regime. Não há estimativa oficial de desaparecidos, mas plataformas online criadas pela população calculam dezenas de milhares.

A líder interina do país, Delcy Rodríguez, anunciou a criação de um fundo inicial de US$ 200 milhões (cerca de R$ 1 bilhão) com recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo ela, equipes de resgate especializadas e certificadas pelo sistema das Nações Unidas estavam a caminho da Venezuela para auxiliar nas buscas. Na véspera, Delcy declarou estado de emergência e expressou suas condolências às famílias dos mortos.

O terremoto mais forte antes desta quarta ocorreu em 29 de outubro de 1900, quando um sismo de magnitude 8 atingiu a capital, Caracas. Conhecido como o Terremoto de São Narciso, o evento resultou em 21 mortos e mais de 50 feridos, segundo a Fundação Venezuelana de Investigações Sismológicas.

O cenário agora remete ao de uma zona de guerra. Edifícios colapsados, ruas cobertas por escombros e moradores em busca de sobreviventes entre os destroços evocam as imagens vistas na Faixa de Gaza e na Ucrânia.

Em La Guaira, quarteirões inteiros foram devastados, e as autoridades declararam a região uma “zona de desastre”. Alguns prédios continuam de pé, com rachaduras e estruturas expostas. Outros, no entanto, foram completamente destruídos. Em parte do estado, não havia energia elétrica na manhã desta quinta, e milhares de moradores passaram a noite nas ruas, com lanternas, temendo mais réplicas.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ter conversado por telefone com Delcy e detalhou a ajuda que enviará a Caracas. A FAB (Força Aérea Brasileira) enviará um primeiro avião nesta sexta (26) com uma equipe de 36 bombeiros para prestar suporte às vítimas, além de um segundo envio com equipamentos médicos, cem purificadores de água com painel solar e medicamentos no sábado (27).

“Vão nove toneladas de equipamentos para ajudar na busca e socorro às vítimas. No sábado, enviaremos mais um voo com equipamentos para a montagem de um hospital de campanha, cem purificadores de água com painel solar, medicamentos e material médico para cirurgias”, escreveu Lula.

Na véspera, o presidente brasileiro já havia se manifestado sobre a tragédia, ao afirmar que determinou uma avaliação do Ministério das Relações Exteriores sobre a situação do país para adotar medidas de assistência ao incidente.

O tremor principal (7,5) ocorreu 39 segundos após o precursor (7,2), a uma distância de cerca de 45 km, ambos no norte do país. Várias réplicas se seguiram a partir do primeiro sismo, que foi registrado às 18h04 no horário local (19h04 em Brasília), segundo informações do serviço sismológico dos Estados Unidos (USGS). Os sismos aconteceram em diferentes profundidades e também foram sentidos na Colômbia e no Brasil.

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