Irã nega utilizar Líbano como ‘moeda de troca’

A acusação do presidente libanês Joseph Aoun de que o Irã estaria utilizando o Líbano como moeda de troca nas negociações com os Estados Unidos foi negada neste sábado, 6, pelo ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi. Em publicação na rede X, ele argumentou que, se essa fosse a estratégia de Teerã, um acordo com Washington já teria sido alcançado há muito tempo.

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As declarações, segundo a EFE, foram uma resposta a uma entrevista concedida por Aoun à CNN. O presidente libanês afirmou que o Líbano estaria sendo usado nas tratativas entre iranianos e norte-americanos e classificou a situação como inaceitável. Aoun também criticou a atuação do grupo terrorista Hezbollah, que está em conflito com Israel, no país. “Este não é o seu país”, disse o presidente.

Ao comentar o conflito com Israel, Aoun disse que a população libanesa vem sofrendo os efeitos da guerra e que residências têm sido destruídas. Ele também voltou a defender que o Hezbollah participe de um diálogo.

Araqchi rebateu a avaliação e afirmou que, pela lógica apresentada por Aoun, seria o Irã — e não Israel — o responsável pela ocupação de parte do território libanês, pelo deslocamento de parte da população e pelos bombardeios realizados no país. O ministro iraniano também pediu ao presidente libanês que concentre sua atenção naquele que classificou como o “verdadeiro inimigo do Líbano.”

Hezbollah aliado do Irã no Líbano

A troca de declarações ocorre em meio à ofensiva das Forças de Defesa de Israel no território libanês, em resposta a ataques do Hezbollah. Teerã tem condicionado um eventual entendimento com Washington ao fim das hostilidades no país, onde mantém influência por meio de sua relação com o Hezbollah.

Leia mais: “Presidente do Líbano critica Hezbollah: ‘Este não é o seu país’”

Na quarta-feira 3, Líbano e Israel concordaram com uma proposta de cessar-fogo condicionada ao fim dos ataques e à retirada da presença do Hezbollah. O grupo radical xiita, aliado do Irã, recusou os termos e voltou a pedir que as autoridades libanesas abandonem as negociações.

O acordo foi discutido durante uma rodada de conversas diretas em Washington. As negociações, mediadas pelos EUA desde abril, ocorrem sem a participação do Hezbollah.

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