Investigação de jornalista do Maranhão tem 5 pontos irregulares

A investigação conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra o jornalista maranhense Luís Pablo e sua fonte, o ex-secretário Raimundo Cutrim, abriu um novo embate sobre os limites da atuação do Judiciário em relação à imprensa. Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo apontam cinco questões jurídicas que podem configurar ilegalidades: a violação do sigilo da fonte, uma possível “pesca probatória”, a competência questionável do STF para conduzir o caso, os limites e a parcialidade da investigação sobre a atividade jornalística.

O caso começou após reportagens de Luís Pablo revelarem o uso possivelmente irregular de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) pelo ministro Flávio Dino e seus familiares. A investigação passou a apurar não o possível crime de Dino, mas a origem das informações utilizadas pelo jornalista.

Na sessão do STF desta quinta-feira (13), Moraes defendeu as medidas e afirmou que a segurança de Dino teria sido colocada em “risco real” por uma associação criminosa. O ministro reconheceu que o sigilo da fonte é uma garantia constitucional, mas afirmou que ele não pode ser utilizado como proteção para a prática de crimes.

Para o advogado Bruno Jordano, a controvérsia ultrapassa o caso específico e envolve os limites do poder estatal diante das garantias constitucionais. Segundo ele, a Constituição não pode ser relativizada justamente quando a atuação da imprensa incomoda autoridades.