O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, pediu nesta quarta-feira (24) que a área técnica da Corte preste esclarecimentos sobre os critérios de distribuição de processos antes de decidir quem será o relator do caso “Dark Horse”.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sejam investigados por supostas irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse” por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Na segunda (22), o ministro Alexandre de Moraes pediu ao presidente da Corte que decida quem deve relatar o caso “Dark Horse”: o próprio Moraes, André Mendonça ou outro ministro.
A movimentação ocorreu após a Procuradoria-Geral da República (PGR) defender que o pedido do petista fosse enviado para Mendonça, relator do caso Master.
Impasse na relatoria
Lindbergh defende que o caso seja anexado ao inquérito relatado por Moraes que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras.
Por outro lado, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, emitiu parecer defendendo que o caso fique com Mendonça. Segundo Gonet, a redistribuição deve ocorrer por prevenção, uma vez que os episódios narrados já são objeto do processo supervisionado pelo ministro.
Caso “Dark Horse”
Em maio, o site The Intercept Brasil revelou que o senador teria negociado R$ 134 milhões em investimentos de Vorcaro para o filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Cerca de R$ 61 milhões teriam sido pagos entre fevereiro e maio de 2025.
Em seguida, o senador confirmou o pedido, mas negou qualquer irregularidade. Flávio também admitiu ter visitado Vorcaro, em São Paulo, um dia após o banqueiro deixar a prisão. Já Eduardo afirmou que não foi o responsável pela gestão do investimento de Vorcaro na produção.
Dias depois, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu a inclusão de Bolsonaro e Flávio no inquérito que investiga a atuação de Eduardo nos Estados Unidos.
Ele apontou que o dinheiro utilizado para financiar o filme “Dark Horse”, a cinebiografia de Bolsonaro, teria sido usado para custear uma “ofensiva internacional” contra as instituições brasileiras.
O petista solicitou ainda o bloqueio de bens e valores de Flávio e de empresas ligadas ao projeto “Dark Horse”; a retenção do passaporte do senador e que ele seja proibido de entrar em contato com Vorcaro.

