PEQUIM, 14 Jul (Reuters) – As exportações da China aumentaram em junho, impulsionadas por pedidos de chips para alimentar o boom global da IA e automóveis, aprofundando a dependência dos produtores em relação aos compradores estrangeiros enquanto as autoridades continuam a se debater com a questão de como impulsionar a demanda interna.
O desempenho comercial acima do esperado mantém a China no caminho para registrar um superávit superior a US$1 trilhão pelo segundo ano consecutivo, com as fábricas mantendo as vendas apesar da desaceleração do crescimento nas principais economias e dos atritos comerciais com os Estados Unidos.
As exportações subiram 27% em junho em relação ao ano anterior em termos de valor em dólares, segundo dados da alfândega divulgados nesta terça-feira, seu melhor desempenho em quatro meses, superando o aumento de 19,4% registrado em maio e a previsão de 18,2% feita pelos economistas.

As importações dispararam 36%, em comparação com um aumento de 27,4% no mês anterior, atingindo a o pico em cinco anos. Economistas haviam previsto um crescimento de 24% para junho.
“A força contínua das exportações, impulsionada principalmente pela IA, aponta para um segundo semestre melhor, aliada a um conjunto de políticas mais expansionistas, gastos fiscais acelerados e uma leve flexibilização monetária, bem como uma redução da tensão no Oriente Médio, o que beneficiará a China por meio de preços mais baixos do petróleo”, disse Xu Tianchen, economista sênior da Economist Intelligence Unit em Pequim.
“Mas a demanda interna continua sendo um empecilho. As vendas no varejo permanecem praticamente estáveis e o investimento em ativos fixos foi negativo no mês passado.”
As exportações mensais de automóveis da China ultrapassaram 1 milhão pela primeira vez em junho, segundo os dados, o que corre o risco de aumentar as tensões com parceiros como a União Europeia. Enquanto isso, a China vendeu ao mundo 32 bilhões de circuitos integrados.
O superávit comercial da China ficou em US$125,6 bilhões em junho, acima dos US$105,4 bilhões do mês anterior.
Com as autoridades ainda sem uma solução para a prolongada crise imobiliária que vem pesando sobre a demanda interna há vários anos, os fabricantes chineses parecem ter poucas opções viáveis além de vender no exterior.
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