Embaixada de Israel no Brasil terá porta-voz muçulmana

A diplomata Rasha Athamni, que é muçulmana e de origem palestina, foi escolhida para liderar a comunicação da Embaixada de Israel no Brasil a partir do próximo mês. Com experiências anteriores na ONU e na Coreia do Sul, ela já ocupa a chefia da missão diplomática desde outubro do ano passado.

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Athamni passou a comandar a embaixada depois da aposentadoria de Daniel Zonshine, ao assumir o posto de encarregada de negócios, função exercida quando não há embaixador titular. Agora, além dessas atribuições, ela também passa a responder pela diplomacia pública no Brasil, papel desempenhado até então por Or Shaul Keren.

Indicação frustrada e desconforto diplomático

Em janeiro de 2025, o governo de Benjamin Netanyahu chegou a indicar Gali Dagan, ex-embaixador na Colômbia, para o cargo de embaixador em Brasília. No entanto, o Itamaraty não chegou a aprovar oficialmente essa indicação, e Tel-Aviv retirou o nome depois de meses sem resposta.

O procedimento adotado por Israel gerou desconforto no Ministério das Relações Exteriores brasileiro. Diplomatas informaram ao portal Metrópoles que a indicação foi divulgada publicamente antes mesmo de consulta reservada ao governo brasileiro, em desacordo com a praxe internacional.

Tensões depois de declarações sobre Gaza

Desde 2024, as relações entre Brasil e Israel enfrentam tensões por causa da guerra na Faixa de Gaza. O presidente Lula (PT) criticou a ofensiva israelense, comparando-a ao Holocausto, o que levou à retirada dos embaixadores de ambos os países e à nomeação de encarregados de negócios para as representações em Tel-Aviv e Brasília.

De acordo com Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula, o governo brasileiro não respondeu ao pedido de agrément de Gali Dagan como resposta a um episódio que envolveu o ex-embaixador Frederico Meyer, que foi levado por autoridades israelenses ao Museu do Holocausto depois das declarações de Lula sobre o conflito em Gaza. Amorim explicou que a decisão foi uma reação àquilo que o governo classificou como “humilhação” sofrida por Meyer.

Leia também: “A embaixada dos Batista”, artigo de Yasmin Alencar na Edição 324 da Revista Oeste

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