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Quando México, Estados Unidos e Canadá apresentaram sua candidatura conjunta para sediar a Copa do Mundo, a promessa era a de uma América do Norte integrada. O torneio serviria para celebrar fronteiras permeáveis, cooperação econômica e circulação de pessoas. Mais de uma década depois, a Copa finalmente chegou. Mas o continente que a recebe parece bem diferente daquele imaginado por seus organizadores.
Milhões de torcedores cruzaram —ou tentaram cruzar— fronteiras nas últimas semanas para acompanhar os jogos. Mas outros milhares não conseguiram sequer obter os vistos necessários para viajar. Em vários países latino-americanos, a espera por entrevistas consulares continua longa, os critérios de aprovação são opacos e o custo da viagem tornou-se proibitivo.
Ao mesmo tempo, o endurecimento dos controles migratórios nos Estados Unidos criou um clima de insegurança para muitos visitantes, mesmo entre aqueles que possuem documentação regular. Em uma entrevista sobre o tema, o consagrado diretor Gonzalo Inarritu insuflou os ânimos: “Faremos um jogo, em Guadalajara, dominada pelo Cartel de Jalisco? Estamos mal mesmo”.
A contradição é difícil de ignorar. A Copa foi concebida para simbolizar a integração regional, mas acontece num momento em que a circulação de pessoas está cada vez mais condicionada pela nacionalidade, pela renda e pelo passaporte que cada um carrega. Nunca foi tão fácil transmitir um jogo para o mundo inteiro. E talvez nunca tenha sido tão desigual a possibilidade de estar fisicamente presente nele.
Nesse cenário, o México ocupa um lugar curioso. Enquanto os Estados Unidos reforçam barreiras e alimentam um discurso de desconfiança em relação aos estrangeiros, o país aparece para muitos visitantes, como a porta de entrada mais acessível e acolhedora do torneio.
O Mundial que deveria celebrar a unidade da América do Norte acaba revelando, involuntariamente, suas assimetrias.
Mudança em Cuba?
Em meio ao agravamento das tensões com o governo Trump, o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, anunciou um pacote de reformas econômicas que, se implementado, representará uma das maiores mudanças no modelo econômico da ilha em décadas.
Entre as medidas estão a ampliação do setor privado, maior autonomia para empresas estatais, a flexibilização do comércio exterior, a abertura para investimentos de cubanos que vivem no exterior e a redução da interferência direta do Estado na gestão das empresas.
Díaz-Canel também prometeu simplificar regras para investidores, dar mais autonomia aos governos locais, ampliar o acesso dos agricultores a insumos e moeda estrangeira, além de abrir setores como turismo, energias renováveis e até coleta de lixo à participação privada e estrangeira.
As propostas indicam uma tentativa de responder à crise econômica que atravessa Cuba e o aumento da pressão exercida pelos Estados Unidos sobre o arquipélago.
MIRADA
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, preferiu acompanhar o jogo de abertura da Copa do Mundo junto ao público, ao contrário de outros líderes, que assistiram à partida em áreas reservadas e privilegiadas do estádio.
LATINAS
“México 86” no streaming
Não se trata apenas da Copa que os brasileiros mais desejem lembrar: fomos eliminados pelos franceses. Mas o documentário de 1986 nos leva, de modo difícil e irreverente, aos bastidores das articulações que levaram o Mundial ao México, em meio a imensas dificuldades.
A atuação de Diego Luna sustenta o personagem sonhador e pragmático que enfrentou o poder do dinheiro, dos lobbies e até dos jogadores que não queriam o país como sede —ressalvas que, até hoje, persistem.
Outra sobre a Copa
A repórter Catherine Osborn, da Foreign Policy, afirma que o México talvez tenha mais a ganhar do que os EUA. Estes, afinal, reservam ao recém-chegado tanta burocracia que acabam fazendo com que quem escolhe o México encontre mais atrativos e alegrias.

