A população carcerária da Rússia caiu quase pela metade em relação ao período antes da guerra com a Ucrânia. Para repor perdas no campo de batalha, o regime de Vladimir Putin tem recrutado presidiários em larga escala desde 2022.
“Se no final de 2021 tínhamos 465 mil detentos, agora são 282 mil, dos quais 85 mil estão em prisão preventiva”, afirmou o diretor do o Serviço Federal Penitenciário russo, general Arkadi Gostev, à agência de notícias TASS na última quinta-feira (14).
Gostev argumentou que entre os principais fatores que incidiram na redução da população penal estariam o aumento de penas alternativas ou não relacionadas à privação de liberdade, como prisão domiciliar e a restrição de movimento.
Por outro lado, ele admitiu que “nos últimos tempos, o trabalho de recrutamento para as Forças Armadas exerce uma certa influência“.
Além disso, indicou que grande parte da produção das prisões russas tem como destino o Exército e a campanha militar na Ucrânia. Anualmente, participam destes trabalhos cerca de 16 mil detentos, que fabricam bens no valor de aproximadamente 5,5 bilhões de rublos (cerca de R$ 380 milhões), segundo o Kremlin.
Recrutamento
O recrutamento de prisioneiros para lutar na Ucrânia veio à tona pela primeira vez ainda 2022. Inicialmente, o esforço era liderado pelo Grupo Wagner, organização mercenária russa —principalmente pelo seu fundador, Ievguêni Prigojin (1961-2023).
Sob o modelo da facção, prisioneiros que sobreviviam a um período de seis meses na linha de frente eram libertados e recebiam perdão por seus crimes.
O modelo causou apreensão em parte da sociedade russa, que temia que os libertos voltassem a cometer crimes após voltarem da linha de frente. Em agosto de 2023, um criminoso condenado —libertado após combater com o Grupo Wagner— foi novamente preso sob a acusação de matar seis pessoas no norte da Rússia.
Depois que Prigojin caiu em desgraça com o regime, o Ministério da Defesa da Rússia assumiu o recrutamento de detentos para a guerra. Depois, o país também aprovou leis para permitir que réus evitem o andamento de processos legais ao se alistarem para combater na Ucrânia.
Em apenas dois meses de 2022, de setembro e outubro daquele ano, o número de presos nas penitenciárias da Rússia caiu 23 mil. Ao longo de 2023, a população carcerária sofre uma nova queda, de 54 mil. Em junho de 2024, o site independente Mediazona e a BBC News Rússia noticiaram que o Grupo Wagner havia recrutado pelo menos 48.366 prisioneiros para a guerra na Ucrânia.
Mais recentemente, o Kremlin foi acusado de recrutar estrangeiros para seu Exército usando falsas promessas de emprego para atraí-los para a Rússia. A tática tem afertado africanos e latino-americanos.

