A militante neonazista Marla-Svenja Liebich, que alterou legalmente seu gênero para feminino em 2024, foi encaminhada a uma prisão masculina após ser extraditada da República Tcheca para a Alemanha, informaram as autoridades nesta quinta-feira (16).
Liebich chegou ao país na quarta-feira (15) e foi inicialmente levada para uma penitenciária feminina em Chemnitz, no leste alemão. Ainda no mesmo dia, porém, foi transferida para uma unidade prisional masculina, segundo o Ministério da Justiça da Saxônia, o que motivou debates sobre o assunto.
A decisão foi tomada por especialistas em conjunto com a direção da penitenciária, sem participação direta da ministra da Justiça, informou o ministério. “É bom que a prisão tenha rapidamente esclarecido a situação e não tenha se deixado levar por nenhuma encenação”, disse a ministra da Justiça da Saxônia, Constanze Geiert.
O caso motivou debates sobre os critérios de alocação de detentos no sistema prisional alemão. Condenada em 2023, Liebich recebeu uma pena de 18 meses de prisão por crimes que incluem incitação ao ódio, injúria, invasão de domicílio e difamação.
Após a entrada em vigor da Lei de Autodeterminação da Alemanha, em 1º de novembro de 2024, que permite a alteração do gênero nos documentos de identidade, Liebich passou a ser registrada legalmente como mulher.
Antes da mudança, quando ainda se chamava Sven, a ativista fazia duras críticas ao que chamava de ideologia de gênero. Em manifestações públicas, chegou a chamar participantes de paradas LGBTQIA+ de parasitas, além de denunciar o que definia como “transfascismo”. Também comercializava produtos com a frase: “Não existe criança trans, apenas pais idiotas”.
A alteração de seu registro civil levou à sua designação para a prisão feminina de Chemnitz, em conformidade com as regras do sistema prisional da Saxônia. A medida, no entanto, provocou críticas de setores que apontavam um possível uso estratégico da legislação e alertavam para eventuais brechas em sua aplicação.
Liebich deveria se apresentar à unidade prisional em agosto de 2025 para cumprir a pena, mas não compareceu e passou a ser considerada foragida. Ela foi presa pela polícia tcheca em 2026, em uma cidade próxima à fronteira com a Alemanha.
Durante uma audiência de extradição realizada na República Tcheca, em maio deste ano, afirmou que se opunha ao retorno à Alemanha por temer ser encaminhada a uma prisão masculina.

