A Colômbia e um continente que não mudam — Por Flávio Gordon

Na noite desta sexta-feira, 15, quatro homens em motocicletas emboscaram e assassinaram dois integrantes da campanha do candidato de direita Abelardo de la Espriella em uma estrada rural no departamento de Meta, no centro-leste da Colômbia — às vésperas das eleições presidenciais marcadas para 31 de maio. A Defensoria do Povo classificou o episódio como “extremamente grave e preocupante”. Na Colômbia, isso é o que se chama de rotina.

+ Leia mais notícias de Mundo em Oeste

Receba nossas atualizações

O país não mudou muito desde Pablo Escobar. Mudaram os protagonistas, as siglas e o vocabulário, mas a estrutura permanece: território controlado pelo terror, dinheiro do tráfico financiando a política, adversários eliminados fisicamente. O que Escobar construiu não desapareceu com sua morte em 1993. Foi herdado pelas Farc, que, inspiradas por Fidel Castro, tiveram a inteligência de vestir o narcotráfico com roupagem ideológica e transformar a cocaína em causa revolucionária. Um negócio excelente: o mesmo produto, com relações públicas muito melhores.

FarcFarc
Farc, grupo guerrilheiro da Colômbia | Foto: Reprodução/YouTube canal AFP

Foi essa versão apresentável das Farc que o Foro de São Paulo acolheu com braços abertos. Fundado por Fidel e Lula em 1990, o Foro tornou-se o grande guarda-chuva do socialismo latino-americano e, ao mesmo tempo, o espaço onde movimentos que financiavam suas operações com o tráfico de drogas ganharam status de interlocutores políticos legítimos. Hugo Chávez, que transformou a Venezuela em corredor estratégico da cocaína, foi um dos maiores fiadores dessa operação de lavagem de imagem: as Farc não eram narcoterroristas, eram guerrilheiros com projeto histórico: derrotar o capitalismo e o imperialismo “estadunidense”. A distinção era cômoda para todos — exceto, obviamente, para as vítimas.

O departamento de Meta, onde os dois membros da campanha foram assassinados, é antigo reduto das Farc e um dos principais corredores do tráfico de cocaína do país. “Extintas” é a palavra oficial para a organização desde o acordo de paz de 2016, mas as aspas são necessárias: uma dissidência é suspeita de ter ordenado o assassinato do senador Miguel Uribe Turbay, baleado durante um comício em Bogotá no ano passado. Dissidências que matam candidatos de direita às vésperas de eleições não são exatamente uma novidade continental.

PCC JustiçaPCC Justiça
No Brasil, grupos como PCC e Comando Vermelho continuam agindo impunemente e assumindo controle sobre partes cada vez mais vastas do território nacional | Foto: Agência Brasil

O socialismo do século 21 prometeu refundar a América Latina e, em parte, cumpriu a promessa: ajudou a fundir, de forma possivelmente irreversível, a política continental com o crime organizado. No Brasil, grupos como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho (fundado com auxílio dos comunistas presos em Ilha Grande) continuam agindo impunemente e assumindo controle sobre partes cada vez mais vastas do território nacional, tudo isso enquanto o governo lulopetista mobiliza um pesado lobby para impedir que sejam declarados organizações narcoterroristas pelo governo americano e enfrentados apropriadamente.

Sim, no continente latino-americano, a Colômbia é um caso emblemático de narcossocialismo — mas não é, infelizmente, o único.

Veja a matéria completa aqui!

- Publicidade - spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui