A menos de seis meses das eleições que vão renovar o Congresso dos Estados Unidos, Donald Trump voltou a ver sua aprovação cair e se aproximar do pior nível observado no seu governo, segundo pesquisas The New York Times/Siena e Reuters/Ipsos publicadas nestas segunda (18) e terça-feira (19), respectivamente.
Na pesquisa Reuters/Ipsos, a aprovação de Trump oscilou para 35%, de 36% do levantamento anterior, ficando a apenas um ponto percentual acima do pior nível já registrado pela série histórica, que o acompanha desde o início do mandato (o republicano começou esta gestão com 47% de aprovação).
O levantamento foi realizado online com 1.271 adultos em todo o país, com 3 pontos percentuais de margem de erro para americanos em geral e 5 pontos percentuais se considerados apenas os republicanos.
Mesmo na sua base de apoio o presidente vê tendência preocupante: segundo a pesquisa, 79% dos republicanos dizem que Trump está fazendo um bom trabalho; no início de maio, esse número era de 82%, o que mantém a variação dentro da margem de erro, mas sugerindo uma tendência de queda se comparada ao começo do mandato, quando o apoio de sua base era de 91%.
A persistência da guerra no Irã e os efeitos da disrupção do mercado de combustíveis no estreito de Hormuz têm dado os principais sinais de alerta para o presidente.
Novamente é a base de apoio ora sólida de Trump que indica os problemas: 47% dos republicanos aprovam a condução do presidente sobre o custo de vida no país, contra 46% que desaprovam —esses números estavam em 70% de aprovação e 12% de reprovação no início do mandato.
“A única coisa que interessa quando falo de Irã é que eles [Teerã] não podem ter uma arma nuclear. Eu não penso na situação financeira dos americanos. Não penso em ninguém”, afirmou Trump a jornalistas antes de embarcar em viagem à China, na semana passada.
O pleito em novembro vai renovar o Legislativo nacional e pode acabar com a maioria republicana no Congresso. A depender da vantagem democrata em uma eventual derrota mais ampla de aliados da Casa Branca, o presidente pode ainda entrar na mira de processos de impeachment —e ele próprio já fez alertas a seus aliados a este respeito.
A condução da guerra é um desses flancos de ataque para os oponentes do presidente, uma vez que as operações militares do governo americano têm sido conduzidas sob bases legais discutíveis, inclusive sem autorização do Congresso.
Segundo a pesquisa Reuters/Ipsos, 62% dos republicanos aprovam a forma como Trump lida com a situação no Irã, com 28% deles desaprovando.
Nesta terça, o presidente voltou a reforçar que não parece se importar com a insatisfação popular quanto ao conflito. “Se é popular ou não, eu preciso fazer isso, porque não vou deixar o mundo ser explodido sob a minha supervisão”, afirmou a jornalistas na Casa Branca.
A pesquisa Reuters/Ipsos divulgada nesta terça acompanha tendência medida também na pesquisa NYT/Siena, divulgada na segunda. No levantamento da véspera, a aprovação geral de Trump no cargo foi de 40% para 37%, enquanto os que reprovam foram de 56% para 59%; 5% não souberam opinar (valores são arredondados). O levantamento foi conduzido com 1.507 eleitores registrados em todo o país, de 11 a 15 de maio, e a margem de erro é de 2,8 pontos.
Discriminada por assunto, a aprovação do presidente só supera os 37% geral se olhados sob a ótima da forma como ele tem lidado com a imigração —41% aprovam como Trump lida com o tema, mesmo assim abaixo dos 56% que reprovam. Em outros assuntos, a aprovação registrada é ainda mais baixa: economia (33%), o conflito Israel-Palestina (31%), a guerra no Irã (31%) e o custo de vida (28%).
São 44% os que afirmam que as medidas de Trump provocaram danos pessoais a eles, um aumento de 8 pontos percentuais desde o segundo semestre do ano passado.
O republicano tem visto a aprovação do seu governo em tendência de queda desde que assumiu o cargo, em 20 de janeiro de 2025. Uma ferramenta do New York Times que produz uma média das principais pesquisas do país indica que o ponto mais alto de Trump foi registrado dias após a cerimônia de posse.
Desde então, o governo do republicano tem vivido fortes solavancos que derrubam gradualmente a satisfação do eleitor americano, ainda que o apoio entre republicanos sofra variações menores. Além da guerra e da inflação, medidas como as tarifas e a paralisação do governo ocorrida a partir de outubro do ano passado também afetam a percepção do eleitorado.
Um dos pontos mais baixos, captado por pesquisa Reuters/Ipsos de abril, mostrou que não apenas suas políticas são reprovadas por parte considerável dos americanos: também o são seus rompantes, ofensas contra outros líderes e declarações extremadas. Apenas 26% dos americanos consideravam Trump “equilibrado”.
Os republicanos, sua base de apoio, dividem-se sobre o tema: 53% disseram achar o presidente equilibrado, enquanto 46% afirmaram que não.
Nesse levantamento de abril foram ouvidos 4.557 adultos, com margem de erro de dois pontos percentuais, em um período em que Trump insultou o papa Leão 14, critico de políticas do republicano sobre conflitos e imigração —a pesquisa registrou que 60% dos entrevistados tinham opinião favorável do pontífice, contra 36% que diziam o mesmo de Trump.

