
A votação das matérias de ontem, na Assembleia Legislativa, foi tumultuada devido a protestos de alguns estudantes que lotaram as galerias do plenário para cobrar, dentre outras coisas, a saída do deputado federal, Marco Feliciano (PSC-SP), da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Depois de discussão tumultuada entre os deputados, a Mesa Diretora decidiu suspender a sessão, alegando falta de quórum para deliberar os projetos em pauta.
A confusão começou logo após o início da Ordem do Dia, quando são apreciadas as propostas em votação, visto que um dos requerimentos em discussão, de autoria da deputada Eliane Novais (PSB), solicitava ao presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB), reconsiderasse a eleição de Feliciano para presidir a comissão de Diretos Humanos e Minorias.
Depois de muito bate-boca e gritaria nas galerias, o presidente da sessão, o deputado Manoel Duca (PRB), acatou um pedido do deputado João Jaime, e por conta, também, de poucos deputados presentes, decidiu suspender a sessão, e a votação do requerimento deve ocorrer somente na próxima semana. Outras propostas foram aprovadas, como uma do governador Cid Gomes, que trata da transferência de recursos do Governo para a execução de programas culturais e educacionais entre pessoas jurídicas e físicas.
Perseguição
“Há vários fatores que demonstram a inviabilidade de ele permanecer nos movimentos sociais. Não faço aqui nenhum juízo à opção religiosa do Marco, não se trata de guerra santa não, mas com sua conduta pública. Do contrário, estaríamos cometendo o mesmo erro. Acima da crenças está o respeito, independente, das suas defesas religiosas”, apontou Eliane Novais.
Já a deputada Silvana Oliveira (PMDB), que faz parte da bancada evangélica da Casa, taxou de perseguição e guerra santa todos os protestos contrários à permanência do deputado federal na condução do colegiado. Enquanto defendia o deputado, que também é pastor evangélico, a peemedebista era vaiada pelos manifestantes e ainda assim não parou seu pronunciamento em momento algum.
“Eu não me intimido com uma pequena minoria que quer governar o País. Por que o (José) Genoíno e o João Paulo Cunha ainda estão lá? Eu entendo que está havendo preconceito religioso contra o deputado. O ódio religioso deve ser repudiado nessa Casa e esse requerimento deve ser derrubado”, defendeu sob protestos dos estudantes. Ela afirmou ainda que a maioria dos brasileiros é contra os homossexuais, a eutanásia e o aborto.
O deputado Fernando Hugo (PSDB) criticou a ação de Eliane Novais e afirmou que a parlamentar deveria ter apresentado um requerimento pedindo a saída de Genoíno e Cunha dos quadros da comissão de Constituição e Justiça.
O tucano chegou a chamar os petistas de bandidos e, ironizando, afirmou que a dupla deveria estar presa no Instituto Penal Paulo Sarasate. Já João Jaime (PSDB), salientou que a comissão está sob o comando do PSC porque o próprio PT abriu mão dela para participar de grupos mais importantes na Casa.
Respeitado
“Coube ao PSC essa comissão. É muito fácil tirar o Feliciano e dar outra comissão, agora o PT não quer comissão dos Direitos Humanos e não aceita o que foi eleito. Ele foi eleito e precisa ser respeitado, pois só sai se quiser. Não cabe a nós da Assembleia interferir no processo eleitoral que foi acabado e que está lá. Vou votar contra, porque não é assunto para se discutir aqui”, reclamou João Jaime.
Defendendo que Marco Feliciano renuncie e que o PSC repense um novo representante para o cargo, Roberto Mesquita (PV), afirmou, porém, que existe um exagero por parte dos críticos do parlamentar. “Não se pode querer para os outros aquilo que não queremos para nós. Não se pode querer execrar o deputado porque ele tem direito de ser deputado”.
Segundo Rachel Marques (PT), a questão não era partidária, mas de diversos movimentos sociais. De acordo com a petista, Feliciano fez algumas manifestações homofóbicas e racistas, portanto, não poderia estar na presidência da comissão.
Ely Aguiar (PSDC), que também foi bastante vaiado pelos manifestantes, afirmou que o requerimento foi apresentado com o objetivo de “jogar para a plateia” e o taxou de “esdrúxulo”. Segundo ele, o deputado foi infeliz em alguns comentários feitos, mas não se pode querer que a Assembleia interfira em decisões da Câmara Federal.
“No mesmo instante em que ele era empossado, dois facínoras estavam sendo empossados na CCJ. A deputada Eliane Novais, e a deputada Rachel deveriam apresentar requerimento solicitando o afastamento dos condenados pela Justiça que estão ocupando a mais importante comissão da Casa”, disparou.
Diário do Nordeste

