Vereadores de Fortaleza e deputados divergem sobre visita de Cid ao Cocó

Governador e ocupantes discutiram pontos sobre o viaduto e o parque do Cocó. (Foto: Tuno Vieira/Diário do Nordeste)

A visita surpresa de Cid Gomes na noite da última segunda-feira (5) aos manifestantes que estão acampados há quase um mês no Parque do Cocó, em Fortaleza, dividiu opiniões na manhã desta terça (6) nos discursos dos parlamentares na Assembleia Legislativa do Ceará e na Câmara dos Vereadores de Fortaleza. Nas casas, sobraram críticas tanto para o governador como para os ambientalistas.

Para o vereador Carlos Mesquita (PMDB), a atitude de Cid demonstrava seu espírito democrático, que seria diferente da postura dos ocupantes do Cocó. “Começo a entender que o que interessa para muitos é dar entrevista. Eles não querem acordo, não querem resolver nada, e ainda tem outros que vão lá para fazer politica, para aparecer e provocar o Prefeito”, criticou o pemedebista.

Mesquita defendeu o projeto dos viadutos na Avenida Engenheiro Santana Junior e disse entender que as árvores próximas à via recebem diariamente muita poluição e que o desmatamento daquele trecho é inevitável. “Gente, é o progresso. É desenvolvimento sustentável. As árvores vão agradecer, tamanha a poluição naquela área”, concluiu.

O líder do prefeito Roberto Cláudio na Câmara Municipal, vereador Evaldo Lima (PCdoB), saiu também em defesa do Estado e Prefeitura e declarou que “os manifestantes do Cocó são da parte rica da cidade”.

“Legalização do Cocó não pode ser motivo de barganha”, critica deputada Eliane Novais

Presente durante a vista de Cid ao parque, a deputada Eliane Novais (PSB) reprovou a condução que o governador deu ao assunto no encontro com os manifestantes. Segundo ela, Cid quer negociar o desmatamento com a criação do Parque Ecológico. “A legalização do Parque do Cocó não pode ser colocada como ponto de barganha pelo Governo do Estado”, defendeu.

A deputada levantou, e recriminou, a possibilidade de o Governo do Estado usar a força policial para retirar os ocupantes. “Outro ponto curioso da conversa com o governador é que não foi garantida a não utilização da repressão para retirada dos manifestantes. A utilização de repressão e da violência não pode ser opção. O direito à manifestação deve ser respeitado e o dialogo deve continuar”.

Os vereadores João Alfredo (PSol) e Toinha Rocha (PSol), que acampou por 4 dias no parque do Cocó, concordaram com a deputada Eliane Novais. “Ele está propondo compensações e não a regulamentação. O diálogo deve continuar”, discursou Toinha Rocha. “O pior é que em nenhum momento [Cid] quis se comprometer a não enviar a repressão”, frisou João Alfredo no Twitter.

Eliane Novais declarou que entrou com um requerimento solicitando uma audiência pública para debater o “Viaduto do Cocó.

Diário do Nordeste Online

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