QUIXERAMOBIM: Prefeito afastado acusa MP de “censura prévia”

Cirilo Pimenta está em confronto com promotor local (Foto: Fco Fontenele/O POVO)

O prefeito afastado de Quixeramobim (a 206 quilômetros de Fortaleza), Cirilo Pimenta (PSD), diz que a representação do Ministério Público do Estado (MPE) no Município estaria fazendo “censura prévia”. Isso porque a promotoria do MP solicitou a emissora de rádio local gravações dos programas transmitidos, tanto do dia em que o ofício foi expedido como dos três dias seguintes.

O que teria motivado o ofício, de acordo com Pimenta, seriam discursos feitos por deputados estaduais, na Assembleia Legislativa, em defesa do ex-prefeito. A rádio local teria reproduzido as falas dos parlamentares. “O pessoal saiu em minha defesa, aí ele ficou incomodado e pediu a gravação”, afirma Cirilo.

O ofício, assinado pelo promotor Igor Pinheiro, foi expedido no dia 18 deste mês. O documento, encaminhado ao diretor da Rádio Difusora Cristal, requisita “cópia de todos os programas transmitidos por esta emissora no presente dia (18), bem como dos programas que serão veiculados nos dias 19/04; 20/04; 21/04”.

Para o ex-prefeito, o fato de o promotor solicitar gravações da programação que ainda não havia sido veiculada extrapola os limites da investigação. “É uma censura prévia e esse tempo já passou, não é mais pra existir isso”, pontua.

“Grosseria”

O ex-prefeito diz ainda que o promotor Igor Pinheiro estaria conduzindo o caso de forma equivocada. “A forma como ele conduz é de muita grosseria, chamando todo mundo de ladrão”, critica.

Cirilo foi afastado do cargo no último dia 9, junto com todo o secretariado de Quixeramobim. Ao todo foram afastadas 26 pessoas da gestão. Para o MP, o grupo integraria um esquema de fraude em licitações, envolvendo entes públicos e empresários.

Em visita ao Município no dia seguinte à operação que afastou os gestores, O POVO constatou o clima de acirramento entre o MP e integrantes da prefeitura. Na ocasião, membros da gestão acusaram a promotoria de “perseguição política”. O MP negou, alegando que “todo político” que é alvo das ações do órgão adota o discurso de perseguição.

Por meio da assessoria de comunicação, o MP informou que o objetivo do promotor, ao solicitar o material à emissora, é analisar o conteúdo das gravações e que isso “não caracteriza nenhuma tentativa de censura”.

O Povo

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