Flávio Bolsonaro (PL) anunciou que pretende pedir a anulação do segundo turno das eleições de 2026, alegando que a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender a votação até as 19h alterou as regras eleitorais durante o processo. O senador também destaca que Zanin foi indicado ao STF pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 1º de junho de 2023. A ligação política entre o presidente e o ministro, porém, não comprova, por si só, que a decisão tenha favorecido Lula ou comprometido a legitimidade do pleito. Para sustentar sua tese no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Flávio precisará apresentar provas concretas de irregularidades relevantes.

Um dos principais pontos da contestação é a aplicação da prorrogação em seções que ainda estavam funcionando, enquanto locais onde a votação já havia sido encerrada não poderiam simplesmente reabrir as urnas. A decisão foi tomada após denúncias de dificuldades no transporte público, e a campanha de Lula recorreu ao Supremo para solicitar a ampliação do horário. O episódio abriu questionamentos sobre a execução de uma medida inédita durante a votação. Entretanto, a campanha de Flávio também havia solicitado ao TSE a ampliação do horário em municípios afetados por chuvas, conforme relatos da cobertura jornalística. Esse detalhe enfraquece uma eventual tentativa de apresentar a extensão do prazo, isoladamente, como uma medida necessariamente contrária aos interesses de sua campanha.
Outro aspecto relevante envolve o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, que cumpriu a determinação judicial e também foi indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro, pai de Flávio. Após a apuração, Nunes Marques afirmou que a decisão de Zanin provocou dificuldades operacionais, mas declarou que a Justiça Eleitoral adotou as providências necessárias e que a prorrogação não alterou o resultado da eleição. A declaração não elimina a possibilidade de questionamentos jurídicos sobre a decisão, mas representa uma manifestação importante da autoridade responsável pela condução do processo eleitoral. A diferença entre as indicações dos dois ministros também não substitui a análise técnica das provas.
A maior dificuldade de Flávio será demonstrar que eventuais falhas tiveram dimensão suficiente para justificar a anulação de uma eleição presidencial. Com uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos para Lula, a defesa precisará identificar as seções afetadas, dimensionar o número de eleitores prejudicados e apresentar elementos que sustentem a relevância eleitoral das irregularidades. O voto secreto impede presumir em quem votariam aqueles que não conseguiram chegar às urnas ou atribuir preferência partidária aos eleitores que votaram no período prorrogado. Assim, embora a medida possa ser questionada quanto à legalidade, à oportunidade e à execução, a tentativa de anular o resultado depende de comprovação jurídica consistente, e não apenas da indicação política de quem tomou a decisão.
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