PT lança Lula pela última vez ao Planalto tentando “vender futuro” | Blogs | CNN Brasil

O PT realiza, na manhã deste domingo (2), a convenção que vai oficializar a última campanha de Luiz Inácio Lula da Silva, de 80 anos, à Presidência da República.

Junto com o lançamento vem o receio da cúpula do Partido dos Trabalhadores de que haja interferência externa no processo eleitoral por parte do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e a tentativa da campanha de ajustar o discurso para algo mais próximo da realidade da população.

A linha que marcou a primeira campanha à reeleição de Lula, vinte anos atrás, conduzida pelo publicitário João Santana, de um “Brasil grande” graças ao PT, dará lugar a uma campanha “realista”, que reconhece as dificuldades existentes. Afinal, números de diversas pesquisas apontam alta rejeição do governo Lula 3 e desaprovação ao candidato.

Os petistas temem apresentar ao eleitor um país que não é visto nas ruas pelo eleitorado. A ideia é exibir uma versão de que o governo Lula 3 pegou um país destruído pelo antecessor Jair Bolsonaro (PL) e deu início a um processo de reconstrução, ainda em curso, que deve se consolidar em um eventual Lula 4 — as propostas que estão sendo debatidas no programa de governo dialogam com essa ideia-força.

No campo social, por exemplo, a defesa da universalização das escolas em tempo integral é vista como uma das grandes novidades. Na economia, a forma como o país vai lidar com minerais críticos e terras raras também é um foco de atenção. O país tem a segunda maior reserva do mundo desses minerais, o que tem despertado o interesse das grandes potências mundiais.

Na economia, a defesa tem sido a requalificação do gasto público, visando melhorias das políticas públicas, e a ideia de mecanismos de controle de gastos, o que ainda desperta desconfiança entre os agentes econômicos, já que o governo Lula fez crescer a relação dívida/PIB de 71% para 81%.

A CNN mostrou na semana passada como a equipe econômica tem apresentado essa ideia ao mercado, com uma ala “liberal” do PT tentando impor controle de gastos em um eventual Lula 4.

Todo esse processo tem feito petistas acreditarem ser possível que Lula, quando fizer 81 anos em outubro, “venda o futuro” ao eleitor neste ano. Diferentemente de outros anos, evita-se o salto alto, pela curta distância com Flávio Bolsonaro nas pesquisas, e o embate deste ano é considerado o mais duro e difícil da história de Lula.

Parte disso se deve à polarização política do país e ao percebido sentimento antipetista; parte, pela forma como o partido enxerga que, daqui até outubro, a oposição deverá contar com apoio externo para se eleger, em especial o apoio de Donald Trump.

Não há clareza, ainda, de como isso se daria. Mesmo porque, até agora, os atos de Trump, como o tarifaço, só beneficiaram Lula. Mas, nos últimos dias, os círculos petistas começaram a dar pistas do que pode vir a ser: uma eventual delação premiada de Nicolás Maduro ou de chavistas que enfrentam processos nos Estados Unidos.

Também há receio de que Trump possa articular, de alguma maneira, alguma pauta ou agenda que constranja o petista e, até mesmo, que o americano não reconheça uma eventual vitória de Lula.

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