Parlamentares cearenses pressionam pela liberação de emendas no Orçamento

Ideli Salvatti
Ideli Salvatti, articuladora política do Planalto, não previa ontem encontro com lideranças para tratar do assunto (FOTO: JOSÉ CRUZ/ABR)

O último dia do ano vai ser de correria e pressão nos ministérios, com deputados federais e senadores preocupados em garantir o dinheiro das emendas parlamentares feitas ao orçamento de 2013. O prazo termina à meia-noite: quem não conseguir empenhar os recursos, perde a chance de favorecer seus redutos eleitorais com verbas extras para obras e projetos. Nacionalmente, líderes partidários de plantão em Brasília demonstram irritação com o tratamento dado pelo governo. No Ceará, no entanto, a maioria dos deputados ouvidos pelo O POVO diz já ter sido beneficiada.

Com base nos relatos do deputado federal Weverton Rocha (PDT-MA) – que passou o fim de semana na capital federal tentando articular a liberação –, o líder do PDT na Câmara, André Figueiredo (CE), disse que os parlamentares não estão sequer sendo recebidos pelas pastas.

Apesar da tentativa de corpo a corpo dos representantes partidários, a ministra da Secretaria das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, não teve ontem nenhum encontro com as lideranças, conforme informou sua assessoria de imprensa. O atendimento ficou por conta dos setores técnicos, e a orientação era a de que os deputados procurassem os ministérios específicos.

Entre os cearenses, houve disparidade de opiniões, mas o clima com o governo parece ser menos ríspido. Segundo o líder do PT na Câmara, José Guimarães, o acordo foi cumprido e todos os parlamentares da base aliada tiveram garantidos os R$ 10 milhões de emendas individuais correspondentes ao orçamento de 2013. “Não há razão para reclamar”, disse. Além do petista e de André Figueiredo, os deputados Danilo Forte (PMDB) e Antônio Balhmann deram depoimentos positivos. O deputado de oposição Raimundo Gomes de Matos (PSDB) relatou dificuldade em apenas uma emenda para a área da saúde.

“Indelicadeza política”
Na contramão do discurso favorável, o deputado Chico Lopes (PCdoB) se disse “revoltado” com o que chamou de “indelicadeza política” do Executivo, devido ao suposto tratamento diferenciado a parlamentares, segundo ele, com menos prestígio. “O meu foi empenhado 50%. Não tiveram a delicadeza politica de tratarem todos iguais. Teve deputado que conseguiu tudo e mais alguma coisa. Outros, nem 30%”, reclamou ele, que disse ter destinado a maioria de suas emendas para o turismo.

Além das emendas individuais, o Ceará tem direito ao dinheiro de emendas coletivas, negociadas por toda a bancada. Essas, no entanto, não tiveram sucesso.

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