O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), defendeu, nesta segunda-feira (1º), a empresária Karina Ferreira da Gama, proprietária do ICB (Instituto Conhecer Brasil), que foi alvo de uma operação da Polícia Civil deflagrada para investigar fraudes e desvios de recursos públicos em um contrato milionário de conectividade com a gestão municipal. Ela também sócia da produtora responsável pela produção da cinebiografia “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A jornalistas, Nunes disse que a empresária é uma mulher “decente” e “trabalhadora”. O prefeito ainda sugeriu a uma perseguição política.
“Acho uma pessoa decente, uma mulher trabalhadora, uma mulher que, como qualquer outra, está batalhando e que conhece o Bolsonaro, né? Então está passando por isso”, disse o prefeito.
A investigação apura fraudes em licitações da prefeitura no valor de R$ 108 milhões. O inquérito apontou “possível cenário de grave comprometimento da lisura administrativa e financeira desde a origem da contratação da organização parceira”. Isso porque o cronograma original previa a entrega de 5.000 pontos de conectividade até junho de 2025, mas foram instalados apenas 3.200 pontos de acesso à rede de wi-fi pública em comunidades do município, no contexto do programa WiFi Livre SP.
Questionado se os recursos poderiam ter sido desviados para a produção do filme sobre Bolsonaro, Nunes disse que, caso a motivação da operação tenha sido essa, o caso seria “grave”.
“Se a motivação, conforme vocês estão me dizendo, é por conta do filme […], aí é grave. Aí é perseguição política”, afirmou.
O inquérito também mostra que o ICB não tem experiência ou histórico no setor de telecomunicações, “limitando seu histórico operacional a feiras de livros e eventos de natureza literária ou religiosa“.
À CNN, a prefeitura disse que colabora com as investigações e que “segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações”. Em nota, a administração também afirmou que o material requisitado nesta segunda-feira (1º) já havia sido encaminhado às autoridades.
Nota da Prefeitura de São Paulo
“A Prefeitura de São Paulo informa que colabora com investigações em andamento e segue à disposição das autoridades, tendo já prestado informações. Todo o material requisitado na manhã desta segunda-feira já havia sido encaminhado às autoridades e são, desde sempre, de acesso público através da prestação de contas do município.
A administração ressalta que o programa funciona normalmente na cidade e pode ser acompanhado em tempo real no link https://institutoconhecerbrasil.org.br/wifilivrecom. por volta das 9h desta segunda-feira, dos 3,2 mil pontos contratados pela prefeitura, apenas 52 estavam off-line e passavam por manutenção. Não houve pagamento por parte da administração para 5 mil pontos. O aditivivo em questão é exclusivamente para manutenção dos 3,2 mil pontos já instalados nas comunidades periféricas da cidade.
A prefeitura reforça que toda a prestação de contas, com documentos, notas fiscais, contratos e outras informações está no sistema SEI, que é público. O processo passou também por acompanhamento do Tribunal de Contas do Municípío (TCM) A Prefeitura repudia veementemente ilações de desvios de recursos públicos, uma vez que o contrato do Instituto Conhecer Brasil seguiu rigorosamente os princípios da legalidade, transparência e economicidade. Vale lembrar que o chamamento público, aberto por 30 dias para qualquer entidade interessada, ocorreu em 2024, quando não havia sequer produção do filme mencionado, e o processo cumpriu todas as exigências legais. Para 2026, o custo estimado na parceria com o instituto corresponde a R$ 1.280,80 por ponto/mês, significativamente menor do que as propostas recebidas em 2022 de R$ 2.026,26 por ponto/mês e R$ 5.092,14 por ponto/mês.”

