Lula visita Minas em meio a impasse sobre palanque no estado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cumpre agendas em Minas Gerais nesta sexta-feira (19) mesmo sem ter um palanque definido no estado para disputar o pleito de outubro. Desde que o senador Rodrigo Pacheco (PSB) desistiu de concorrer ao governo mineiro, o PT ainda busca definir quem vai liderar a chapa estadual.

Na quinta-feira (18), durante a manhã, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, se reuniu com a bancada mineira e com o diretório estadual da sigla para tratar sobre o palanque. Nenhum nome foi definido.

Participantes da reunião relataram à CNN Brasil que o PT de Minas apresentou a pesquisa feita pela sigla, que testou nomes próprios e de políticos de partidos aliados para o governo do estado.

A pesquisa quantitativa mostra a ex-prefeita de Contagem à frente, porém, o PT não deve abrir mão da candidatura de Marília Campos ao Senado.

Outros dois nomes petistas também foram testados: se trata dos deputados federais Reginaldo Lopes e Rogério Correia. Segundo relatos feitos à CNN Brasil, os três nomes petistas apareceram à frente de outros pré-candidatos de partidos aliados, como o do ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB), que vem dialogando com a cúpula nacional do PT.

O diretório estadual ainda insiste em um nome próprio para disputar as eleições em Minas, mas querem se reunir com o presidente Lula antes de bater o martelo.

Os petistas mineiros vão acompnhar Lula nas agendas desta sexta e esperam uma brecha para tocar no assunto de palanque com o presidente, mas ainda defendem uma reunião formal em Brasília para a definição do cabeça de chapa.

Lula em Belo Horizonte

Lula começa os compromissos de sexta-feira em Belo Horizonte, onde fará anúncios voltados à assistência oncológica no SUS (Sistema Único de Saúde). Serão apresentados os marcos da transformação do Hospital Luxemburgo, da Rede Mário Penna.

O hospital recebe também um novo equipamento de radioterapia para tratamento de câncer. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participa do evento ao lado do petista.

Lula na cidade de Cleitinho

Após a agenda na capital mineira, Lula desembarca no centro-oeste mineiro na tarde de sexta para inaugurar o Hospital Regional de Divinópolis. Com cerca de 230 mil habitantes, a cidade é berço de lideranças políticas tanto da base governista quanto da oposição.

A última vez que Lula esteve na cidade foi em agosto de 2010, quando inaugurou o campus da UFSJ (Universidade Federal de São João del-Rei), que leva o nome de Dona Lindu, mãe do presidente.

Antes mesmo da confirmação dessa viagem de 2026, a possibilidade da ida do petista a Divinópolis causou um alvoroço na política regional e acirrou uma disputa pela paternidade da obra, que se tornou um dos principais ativos políticos em ano eleitoral.

A construção do hospital começou em 2010 e estava paralisada desde 2016. As obras foram retomadas em 2023, no terceiro mandato do presidente Lula e no segundo mandato do ex-governador e pré-candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema. Os dois são adversários políticos.

A retomada das das obras foi viabilizada por meio dos recursos do Termo de Medidas de Reparação, assinado entre o Estado de Minas Gerais e a Vale, em função do rompimento da barragem em Brumadinho, que matou 272 pessoas em 2019. Um investimento de cerca de R$ 40 milhões de reais.

Apesar de ter sido construído com recursos do Termo de Reparação, o hospital será administrado pela HU Brasil pelos próximos 20 anos, órgão vinculado ao MEC (Ministério da Educação), responsável por gerir os Hospitais Universitários Federais.

Em nota, o governo federal reconhece que hospital foi construído e equipado pelo governo estadual, mas esclarece que a instituição foi doado à UFSJ.

Segundo o governo federal, administração pela HU Brasil tem custo previsto de R$ 341 milhões por ano. Sendo R$ 111 milhões do Ministério da Saúde e R$ 220 milhões do Ministério da Educação. O atendimento será 100% destinado ao SUS.

À CNN Brasil, o ex-governador Romeu Zema afirmou que é “muito fácil o presidente Lula participar de um evento para tentar passar a impressão de que trabalhou pela conclusão do hospital”.

Zema ainda disse que herdou “um cemitério de obras inacabadas” e que a visita do presidente Lula a Divinópolis “é, no mínimo, contraditória”. O ex-governador também defendeu que doou o hospital à universidade.

A transferência do Hospital Regional para UFSJ ocorreu apenas após a sanção de projeto de lei apresentado pela deputada estadual Lohanna Franca (PV), aprovado pela ALMG (Assembleia Legislativa de Minas Gerais) em dezembro de 2025.

De acordo com o governo federal, a expectativa é de que o cronograma esteja concluído, com o hospital em pleno funcionamento, até maio de 2027, com 198 leitos e 1.096 trabalhadores no total.

Em meio à disputa política pela obra, Lohanna afirmou à CNN Brasil que a entrega do hospital “é para a universidade, para o Centro-Oeste e para os mineiros”.

Já a tesoureira nacional do PT, Gleide Andrade, também nascida em Divinópolis, afirmou à CNN Brasil que o “hospital é 100% custeio federal” e que “levantar parede é facil, dificil é manter”.

Integrantes mineiros da federação PT-PCdoB-PV avaliam que a presença de Lula em Minas Gerais pode acelerar as articulações para a formação do palanque governista na disputa estadual de outubro.

“Tenho certeza que a vinda do presidente Lula tem em mente a necessidade de resolver o palanque. É importante a gente lembrar que o campo progressista não é o único sem palanque resolvido no estado”, afirmou Lohanna.

Racha entre os irmãos Azevedo

A família do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) é natural de Divinópolis e deixou a atuação no comércio de verduras para se tornar um clã político em Minas Gerais nos últimos dez anos. Os irmãos Azevedo foram verdureiros, músicos e, agora, ocupam a política nas três esferas: municipal, estadual e federal.

Apesar de compartilhar do mesmo sangue e campo político, a ida do presidente Lula ao centro-oeste mineiro dividiu os irmãos Azevedo.

Divinópolis foi governada pelo prefeito Gleidson Azevedo (Republicanos) até março de 2026, quando ele deixou o cargo para concorrer a uma vaga na Câmara dos Deputados no pleito de outubro.

Gleidson Azevedo é irmão gêmeo de Cleitinho Azevedo (Republicanos), senador e pré-candidato ao governo de Minas Gerais, que pode encabeçar o palanque do pré-candidato à Presidência pelo PL, o senador Flávio Bolsonaro (RJ).

Um terceiro Azevedo também é conhecido na política mineira: se trata do deputado estadual Eduardo Azevedo (PL-MG), irmão mais velho dos gêmeos. Eduardo usou as redes sociais, no dia 4 de junho, para criticar a ida do presidente a Divinópolis.

Ao lado de Romeu Zema, Eduardo afirmou que a inauguração do hospital pelo presidente Lula é “mais uma mentira salafária do PT para tentar enganar Divinópolis e toda a região em pleno ano eleitoral”.

Zema, por sua vez, puxou o protagonismo da entrega para si: “100% dos recursos foram aqui do governo do estado de Minas, agora que o hospital tá pronto, bonito, tem gente falando que é pai e a mãe da criança”.

Poucos dias depois, durante uma sessão no plenário do Senado, no dia 9 de junho, Cleitinho adotou uma postura diferente do irmão mais velho e elogiou a visita de Lula à cidade mineira.

“O presidente Lula está indo na cidade e está uma polêmica dentro da região. ‘Cleitinho, o que você acha?’ Ele tem que ir, uai. Ele é o presidente da República. Se qualquer outro presidente que estivesse em exercício fosse à cidade, eu tenho que ficar é feliz e honrado, independente se é aliado meu, se é uma pessoa que eu apoio”, disse.

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