O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta quarta-feira, 24, o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no Palácio da Alvorada. Segundo apurou Oeste, a reunião durou mais de uma hora e ocorreu em meio à pressão para que o parlamentar deixe o comando da articulação governista na Casa.
O encontro marcou a primeira conversa presencial entre Lula e Wagner desde que o senador foi alvo da nona fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal (PF).
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Nos bastidores, auxiliares do Planalto e integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) defendem o afastamento do líder do cargo para reduzir os desgastes políticos provocados pelas investigações que envolvem o Banco Master. A expectativa era que a reunião servisse para discutir os próximos passos do senador dentro da estrutura do governo.
Jaques Wagner tem resistido às pressões e argumenta a aliados que uma saída imediata poderia ser interpretada como admissão de culpa. Interlocutores do petista afirmam que ele pretendia discutir diretamente com Lula qualquer decisão sobre sua permanência no posto.
Operação da PF ampliou pressão sobre Jaques Wagner
A Operação Compliance Zero investiga um suposto esquema bilionário de fraudes, corrupção, lavagem de dinheiro e obstrução da Justiça ligado ao Master, banco que era controlado pelo empresário Daniel Vorcaro.
Segundo a PF, Jaques Wagner teria atuado em favor dos interesses da instituição financeira no Congresso Nacional e recebido vantagens indevidas em troca. Entre os benefícios citados pelos investigadores estão um apartamento de luxo em Salvador, avaliado em aproximadamente R$ 2,5 milhões, e repasses para empresas ligadas a familiares do senador.
Leia também: “A nova digital do PT no Banco Master”, reportagem de Luana Viana publicada na Edição 317 da Revista Oeste
Na última segunda-feira, 22, o parlamentar recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tentar anular a decisão que autorizou buscas em endereços vinculados a ele. Em manifestação encaminhada à Corte, a defesa afirmou que a operação se baseou em “erros graves” e contestou os fundamentos utilizados para justificar a medida.
Durante a ação da PF, agentes apreenderam cerca de US$ 49 mil em espécie em um endereço ligado ao senador em Brasília. Na cotação do dia da operação, o montante equivalia a aproximadamente R$ 250 mil.
Wagner afirma que os recursos têm origem lícita e correspondem a diárias recebidas do Senado em razão de viagens internacionais realizadas no exercício do mandato.
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