Grupo cancela reunião com Cid e tenta unificar pauta

Cerca de 300 pessoas se reuniram na manhã de ontem no Dragão do Mar. Tentativa de criar pauta de reivindicações acabou frustrada (Foto: Mauri Melo/O Povo)

Os grupos que estão promovendo as manifestações em Fortaleza decidiram ontem, em um encontro pela manhã no Centro Cultural Dragão do Mar, cancelar a reunião com o governador Cid Gomes (PSB), prevista para esta semana. Na reunião, os participantes mostraram-se preocupados com a possibilidade de o governador do Estado passar a pautar os rumos do movimento.

Na última sexta-feira, um grupo de nove manifestantes teve um encontro com o governador, com o prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PSB) e outras autoridades. Como o grupo alegou não representar todos os manifestantes, Cid agendou nova reunião para esta semana com um número maior de pessoas para esta semana.

Dos nove estudantes que conversaram com Cid, apenas dois estavam presentes ontem. Um deles, Gabriel Bonadies, por diversas vezes, foi interrompido por críticas de pessoas que o acusavam de ter ligações com o governador e de não representar o grupo. “Se tentarem hostilizar todas as pessoas que tentam organizar o movimento, não anda”, disse Bonadies, que reiterou não assumir liderança.

Reunião

O encontro de ontem havia sido convocado para que os diversos grupos de manifestantes tentassem unificar uma pauta de reivindicações, mas eles não conseguiram chegar a um consenso. Com a ajuda de um microfone ligado a uma caixa de som, algumas pessoas tentavam por ordem às cerca de 300 pessoas presentes durante quatro horas de encontro.

Com um público diversificado, cada um apresentava suas demandas ao microfone: de plebiscito para a construção da Ponte Estaiada e do Acquário Ceará, fim de gastos com a Copa que impliquem remoção de moradores, contra o projeto da “Cura Gay” no Congresso, até propostas mais genéricas como reforma política e aumento de salário para professores. Algumas causaram polêmica, como a de um dos participantes que defendeu a pena de morte e foi vaiado.

Alguns participantes ficaram irritados com a falta de foco e o conflito interno do próprio movimento. “Vi muitos tentarem ter voz, mas cada um gritava uma coisa diferente e, por fim, um passou a calar o outro”, escreveu o pesquisador de Ciências, Téo Sucupira, na página do Facebook “Mais Pão, menos Circo”, que reúne mais de 50 mil manifestantes.

A próxima tentativa de unificar a pauta está marcada para hoje, às 18 horas, na Praça da Gentilândia. Na ocasião, devem ser deliberadas as reivindicações sugeridas no encontro no Dragão do Mar.

Instituições

O Ministério Público do Ceará (MP-CE) reúne instituições nesta segunda-feira para tratar sobre as manifestações sociais que tomaram as ruas de Fortaleza e de outras capitais brasileiras nas últimas semanas. Durante os protestos nacionais, uma das principais reivindicações dos movimentos é o apoio contra a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 37, medida que tira do MP a atribuição de realizar investigações criminais.

O objetivo do encontro, de acordo com o Ministério Público, é traçar estratégias conjuntas para prevenir confrontos em decorrência dos protestos realizados em diversos municípios cearenses na última semana.

A comissão intersetorial que se reúne, no Ceará, é composta por chefes da Polícia Militar do Estado, Polícia Civil, Defensoria Pública, Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, Ouvidoria do Estado, Escritório de Direitos Humanos da Assembleia e Conselho Estadual de Segurança Pública.

No estado de Minas Gerais, ação semelhante foi adotada, quando uma comissão mista se reuniu e decidiu acompanhar de perto as manifestações. Além disso, estabeleceu que todas as prisões efetuadas devem ser comunicadas imediatamente ao grupo para que as pessoas detidas durante protestos tenham acesso a acompanhamento jurídico.

No Rio de Janeiro, o MP anunciou investigação à ação da Polícia Militar durante as manifestações na cidade como abuso de poder e uso de spray de pimenta, gás lacrimogêneo e balas de borracha, em protestos próximos ao estádio do Maracanã.

O Povo

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