
Depois de quase duas horas, os manifestantes liberaram a pista de acesso ao Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza, na tarde deste domingo (23), após um protesto que reuniu cerca de mil pessoas, um grupo menor de cerca de 50 pessoas bloqueou a Avenida Senador Carlos Jereissati, depois de passar próximo à Arena Castelão, onde a Espanha enfrentava a Nigéria pela Copa da Confederações.
O protesto atrapalhou o trânsito na via e criou um congestionamento de táxis. Parte das pessoas que iam ao aeroporto desceu dos táxis e se dirigiu ao aeroporto a pé. O protesto caminhou da BR-222 ao aeroporto. A Tropa de Choque da Polícia Militar fez uma barreira para impedir a entrada das pessoas ao interior do aeroporto.
Após a caminhada, uma minoria de vândalos pichou e secou pneus de veículos de emissoras de televisão. Um veículo da TV Diário, de Fortaleza, foi pichado e carros da TV Verdes Mares e TV Jangadeiro tiveram os pneus esvaziados.
A concentração do protesto iniciou a cerca de 3 quilômetros da Arena Castelão. O grupo caminhou entre veículos em direção ao Castelão na Avenida Alberto Craveiro, e, em seguida foi em direção ao aeroporto. Apesar da pouca adesão neste domingo em relação aos protestos anteriores, que chegaram a reunir cerca de 30 mil pessoas, os manifestantes acreditam que os protestos não perderam a força. “Nós tivemos hoje uma assembleia para debater e decidir os rumos do protesto. Na próxima semana nós vamos voltar com mais força”, diz Lucas Moreira, um dos organizadores dos protestos em Fortaleza.
Na manhã deste domingo, o grupo se reuniu no Centro Cultural Dragão do Mar para decidir as pautas prioritárias nos protestos. Ficou decidido que o grupo vai reivindicar, de forma prioritária, a redução da tarifa de ônibus de R$ 2,20 para R$ 2, e a paralisação das obras do Acquario Oceânico, avaliado em US$ 250 milhões.
“Todas as capitais baixaram a tarifa, agora a gente quer a redução também em Fortaleza”, diz Lucas Moreira. Em relação ao Acquario, os manifestantes alegam que há irregularidades e gastos excessivos na obra e a prioridade do estado deveria ser o combate aos efeitos da seca. O Ceará passa por uma das maiores secas dos últimos 50 anos e tem 174 de 184 cidades com decreto de emergência devido à escassez de água.
O governo defende que o Acquario é construído de forma regular, com licença ambiental da Secretaria Estadual de Meio Ambiente. Os manifestantes alegam que é necessária a licença ambiental de um órgão federal. O Ibama, no entanto, afirmou que o órgão estadual deveria emitir ou não a licença. Sobre a denúncia de gastos excessivos, o governo alega que a obra custou o valor médio estimado para um empreendimento do porte do Acquario Oceânico e que também tem feito investimentos para amenizar os efeitos da seca no estado.
A prefeitura de Fortaleza não se pronunciou sobre o pedido de redução de passagem.
G1 CE

