Eleição em Roraima termina sob impasse judicial

Os eleitores de Roraima foram às urnas neste domingo, 21, para uma eleição suplementar marcada por um impasse jurídico que começou antes da campanha e pode continuar depois da apuração.

As urnas fecharam às 17h, e o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) iniciou a contagem dos votos às 19h30.

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A votação acontece depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) levou 623 dias para concluir o julgamento que cassou a chapa de Antonio Denarium (PP-RR) e Edilson Damião (Republicanos-RR), eleita em 2022.

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O processo recebeu o primeiro voto pela cassação em 2024. Quando a então relatora, ministra Isabel Gallotti, defendeu a retirada da chapa e a convocação de uma nova eleição.

Na mesma semana em que Gallotti apresentou seu voto, a então presidente do TSE, ministra Cármen Lúcia, reuniu-se com o senador Hiran Gonçalves (PP-RR) e com Eugênio Aragão, advogado que atuava na defesa de Denarium e Damião. Sete dias depois do encontro, o tribunal retirou o caso da pauta.

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As urnas fecharam às 17h, e o Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) iniciou a contagem dos votos às 19h30 | Foto: Reprodução/TSE

O julgamento voltou à pauta apenas em novembro de 2025. Na ocasião, o ministro André Mendonça acompanhou parcialmente a relatora e votou pela cassação da chapa. Depois, o ministro Kassio Nunes Marques pediu vista e manteve o processo parado por mais de 90 dias, acima do prazo previsto no regimento.

Nunes Marques, que assumiu a presidência do TSE, devolveu o processo depois de mais de cinco meses. O tribunal concluiu a cassação em 30 de abril e marcou a eleição suplementar para este domingo.

STF pode levar disputa de Roraima novamente ao Judiciário

A demora reduziu o prazo do calendário eleitoral. Com a confirmação da cassação, o TRE-RR aprovou uma regra excepcional que permitia a desincompatibilização de candidatos em 24 horas.

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), derrubou a medida. E determinou a aplicação dos prazos previstos na legislação eleitoral, de três, quatro ou seis meses antes da votação, conforme o cargo ocupado.

A 1ª Turma do STF manteve a decisão. Mesmo com a mudança, candidatos contestados permaneceram na urna.

A apuração pode levar a eleição novamente ao Judiciário. Caso os votos de Arthur Henrique sejam decisivos, adversários poderão questionar a validade do resultado. Além de alegar que a Justiça Eleitoral manteve uma candidatura atingida pela decisão do Supremo.

Em decisão de 16 de junho, Dino afirmou que o STF é a “última e incontrastável instância” para definir a interpretação constitucional que deve seguir o Judiciário.

Se os votos de Arthur Henrique forem determinantes para o resultado, adversários poderão sustentar que a Justiça Eleitoral descumpriu a decisão da Corte ao permitir a permanência da candidatura na urna.

Ao analisar o caso de Roraima, o STF reduziu o espaço de atuação do TSE e assumiu a palavra final sobre a controvérsia eleitoral.

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