O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tentou inverter a lógica econômica ao culpar os juros altos pelo descontrole das contas públicas do governo federal. Em entrevista ao portal g1, o chefe da equipe econômica eximiu a gestão Lula de responsabilidade pela crise fiscal e defendeu que o Ministério da Fazenda é o menos culpado pelo patamar atual das taxas de juros. O ministro classificou a vinculação entre a gastança e os juros como uma resposta fácil para o problema. “Eu não estou procurando culpados”, disse.
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Para o chefe da pasta, as taxas elevadas funcionam como o verdadeiro obstáculo da economia e pressionam diretamente a dívida pública do país. O endividamento do Brasil atingiu 81,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em maio, registrando o maior patamar em cinco anos. No acumulado do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o estoque de dívida do Estado brasileiro já avançou 9,4 pontos percentuais.
Economistas rebatem Fazenda e apontam fúria de gastos da União
Analistas de mercado e economistas ouvidos pelo portal rebateram a tese de Durigan e afirmaram que o descontrole do Orçamento é que empurra os juros para cima. Especialistas alertam que a falta de sintonia entre a política do Palácio do Planalto e as metas do Banco Central (BC) anula o combate à inflação. O mercado descreve o cenário como dois remadores puxando o barco em sentidos opostos, com o governo estimulando o consumo e o BC tentando desacelerar o mercado.
As despesas totais da União romperam a barreira de R$ 2,633 trilhões no acumulado de 12 meses encerrados em maio. O volume de saídas financeiras caminha a passos largos em direção ao topo histórico do país, registrado em novembro de 2020, quando os desembolsos bateram R$ 2,822 trilhões. A escalada sem freio de benefícios sociais e da Previdência Social forçou o congelamento emergencial de R$ 23,7 bilhões de verbas ministrais.
Setor público consolidado amarga saldo vermelho de R$ 56 bilhões
O balanço do BC detalha que as contas do setor público consolidado amargaram um déficit primário de R$ 56,1 bilhões apenas no mês de maio. O resultado representa uma piora expressiva sobre o desempenho do mesmo mês do ano anterior, quando o saldo vermelho fechou em R$ 33,7 bilhões. O indicador mede a diferença real entre a arrecadação de impostos e as despesas operacionais do Estado, sem contar os juros da dívida.
O governo federal liderou o colapso do período com um saldo negativo isolado de R$ 55,2 bilhões. Os Estados e municípios também fecharam o mês no vermelho com um prejuízo de R$ 1,2 bilhão, enquanto as companhias estatais seguraram um saldo positivo isolado de R$ 273 milhões no mês. No acumulado anual de janeiro a maio, contudo, as empresas públicas acumulam perdas consolidadas de R$ 7,4 bilhões.
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