O ministro Flávio Dino, do STF, deu um prazo de dez dias para que o presidente da Câmara, Hugo Motta, envie documentação sobre emendas parlamentares investigadas por irregularidades. A decisão segue o bloqueio de R$ 119,2 milhões em emendas, depois de a PF identificar um suposto esquema de direcionamento irregular de recursos, envolvendo Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha. Dino também ordenou a suspensão da execução orçamentária das emendas.
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu prazo de dez dias ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para que envie toda a documentação referente à tramitação interna das emendas parlamentares investigadas por suspeitas de irregularidades.
Na decisão, Dino determinou que os documentos sejam apresentados de forma individualizada para auxiliar as investigações da Polícia Federal.
Receba nossas atualizações
O despacho foi assinado após o ministro ordenar o bloqueio de recursos ligados ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-RJ), apontados pela PF como possíveis articuladores da destinação de emendas, mesmo sem mandato parlamentar.
Além da intimação à Câmara, o ministro determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Controladoria-Geral da União (CGU) suspendam imediatamente qualquer etapa da execução orçamentária das emendas investigadas, incluindo empenho, liquidação e pagamento.
O incidente das emendas

Na sexta-feira 10, Dino bloqueou R$ 119,2 milhões em emendas parlamentares depois de a Polícia Federal apontar um suposto esquema de direcionamento irregular de recursos que envolve Valdemar Costa Neto. Segundo a investigação, servidores da Câmara teriam atuado para operacionalizar ao menos 21 emendas consideradas irregulares.
O ministro afirmou haver “veementes indícios convergentes” sobre a possível responsabilidade criminal dos investigados, mas ressaltou que ainda é cedo para concluir que houve desvio efetivo dos recursos.
+ Leia mais notícias de Política em Oeste
No dia seguinte, Dino também determinou o bloqueio de até R$ 6,15 milhões em bens e valores de Eduardo Cunha. A PF sustenta que o ex-deputado teria influenciado a destinação de emendas por meio da servidora Mariângela Fialek, conhecida como “Tuca”, com uso de parlamentares para ocultar o verdadeiro responsável pelas indicações.
Em reação, Hugo Motta afirmou que a decisão representa uma “indevida intervenção judicial” em atribuições do Legislativo. Segundo o presidente da Câmara, não há comprovação de desvio de recursos, e a atuação de servidores na operacionalização de emendas é um procedimento regular, realizado conforme orientações dos parlamentares e partidos.

