A derrocada enfrentada hoje pelo presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha (PMDB), ao ser acusado de receber propina do esquema de corrupção da Petrobras e anunciar, como represália, o rompimento com o Governo Dilma, ressuscita o episódio da queda do cearense Cid Gomes do Ministério da Educação. Cunha tentará virar o jogo, mas hoje o quadro é de adversidade.
Cunha e Cid protagonizaram uma queda de braços e uma verdadeira guerra após o ex-governador do Ceará e Ministro da Educação dizer, durante evento, em Belém, no Estado do Pará, que a Câmara Federal tinha 300, 400 achacadores. A declaração provocou a convocação à Câmara Federal e posterior demissão de Cid Gomes.
Ao ser questionado por parlamentares no Plenário da Câmara Federal, Cid, certo de sua saída do Governo Dilma, reafirmou a declaração sobre possíveis achacadores e apontou, entre esses personagens do achaque para se dar bem com o Palácio do Planalto, o presidente Eduardo Cunha.
A reação de Cunha foi fria e, com um sorriso sarcástico, já comemorava naquele momento a saída de Cid Gomes. Poucos minutos após Cid deixar o Plenário da Câmara Federal, Cunha anunciou, durante sessão plenária, que a presidente Dilma Rousseff havia demitido o cearense.
Como na política o dinamismo faz parte do cotidiano, Cid mergulhou, optou pelo silêncio, dedicou-se a conversas políticas de bastidores e foi cumprir um período sabático em Sobral, sua terra natal. À espera dos desdobramentos que marcam a vida política do País, esperou os desafetos caírem em contradições e, também, em pedaladas que os colocariam em situação de constrangimento, deboche e escândalos.
Foi o que aconteceu justamente com dois dos seus desafetos: Eduardo Cunha e o cearense Eunício Oliveira, líder do PMDB no Senado, que há uma semana está na mira da imprensa por ter indicado o genro para a direção da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC). Cid não perdeu tempo e, sua conta no twitter, lembrou da expressão que usara quando ainda ministro ao chamar peemedebistas de achacadores. Dessa vez, incluiu o peemedebista Eunício Oliveira. Hoje, Cid assiste de camarote a derrapada e isolamento de Eduardo Cunha, a quem, também, acusou de achacador. Com esse episódio, não se surpreenda com a volta de Cid Gomes ao noticiário nacional.

