
Uma pessoa foi presa em flagrante e quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos, ontem, em Fortaleza, durante operação da Polícia Federal que investiga crimes de pedofilia na Internet. Intitulada “Glasnost”, a ação foi executada simultaneamente em 11 estados do País. No total, foram efetuadas 25 prisões: 24 em flagrante e uma preventiva. Os nomes dos acusados não foram revelados. Apenas uma prisão foi feita no Ceará.
Um policial militar, um oficial da Aeronáutica, um chefe de grupo de escoteiros e vários professores foram alvo da operação da PF. Eles teriam praticado abusos contra crianças e adolescentes com idades entre seis meses e 16 anos.
Toda a ação foi comandada pela PF no Paraná. Ao todo, foram expedidos 86 mandados de busca e apreensão, 30 de condução coercitiva (quando pessoas são conduzidas até a delegacia para prestar depoimentos) e uma de prisão preventiva. As ordens judiciais foram cumpridas nos estados do Paraná, Rio Grande dos Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro, Alagoas, Maranhão, Minas Gerais, Bahia, Goiás e Ceará.
Prisão no Ceará
Na capital cearense, a operação foi comandada pela Delegacia Institucional (Delinst), localizada no prédio anexo da PF, no Bairro de Fátima. Titular da unidade, a delegada Alexandra Reis informou ontem ao O POVO que não revelaria detalhes sobre as ações.
Em entrevista coletiva no Paraná, no entanto, o delegado Flavio Setti, responsável pela operação, revelou que as investigações duraram dois anos. “Começou com a prisão de outros pedófilos e com a menção a site russo que seria utilizado para troca e divulgação de pornografia infantil para várias partes do mundo”, afirmou Setti.
Conforme a PF, o trabalho resultou na identificação de quase uma centena de brasileiros envolvidos com a exploração sexual de crianças e adolescentes. Brasileiros foram identificados cometendo o crime nos Estados Unidos. Eles estão sendo investigados com a colaboração da Agência Federal de Investigação (FBI).
A PF revelou que pelo menos três deles foram identificados como “abusadores sexuais”. Um dos acusados abusava da própria filha, de apenas cinco anos de idade, e compartilhava as imagens com outros pedófilos pela Internet.
Todo o material coletado durante a operação será periciado e analisado para que os abusadores e produtores dos conteúdos pornográficos sejam identificados. Além dos alvos da operação, mais de duzentos suspeitos continuam sob investigação.
O Povo

