
Um motociclista é morto a cada três dias e meio em Fortaleza, conforme dados da Autarquia Municipal de Serviços Públicos e Cidadania (AMC). A Capital costuma registrar 70 óbitos por ano. Dos mortos, 98% são homens. Do total das mortes por acidentes de trânsito em Fortaleza, 27,3% são condutores de veículos de duas rodas. No Ceará, o trânsito já é o segundo principal fator de morte, junto com os homicídios, inseridos nas causas externas, e mais ainda os acidentes provocados por motos.
No Estado, foram 246 mortes por ocorrências com motocicletas, até março, e 2.253 feridos. O número de acidentes foi de 2.255, no mesmo período. Já em 2012, até março, eram 2.134 registros. O levantamento é do Departamento Estadual de Trânsito (Detran). Os dados foram divulgados, ontem, durante apresentação da pesquisa sobre acidentes com motociclistas em países da América Latina, realizada pela Fundação Mapfre.
O problema deixa de ser de saúde pública para se tornar de segurança nacional, no momento em que os gastos com internação e cirurgias são exorbitantes, segundo o médico do Instituto Doutor José Frota (IJF) e mestre em acidentados com motocicletas atendidos em hospitais públicos, Lineu Jucá.
Gastos
Na unidade, por exemplo, hospital referência em traumatologia, a vítima de acidente de moto passa uma média de três meses internada. O custo é de R$ 1.800 por paciente. “Fora os gastos com antibióticos e cirurgias. Se ele ficar com consequências físicas é o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) que vai pagar”, acrescenta.
Segundo Jucá, 5,5% das deficiências do mundo são decorrentes do trânsito. As ocorrências com veículos de duas rodas são 27% mais graves que as que envolvem automóveis. Dos pacientes da unidade de saúde que foram vítimas do trânsito, 55% estavam sem carteira de motorista, 56% sem capacete e 42% alcoolizados. No IJF, são 1.200 atendimentos por mês de pacientes acidentados por moto. Em 2001, esse número era de 809. O serviço de traumatologia do hospital ocupa 90% dos leitos.
O bombardeio de números é responsável pela conclusão de que os acidentes de moto já podem ser considerados uma epidemia com consequências fatais para a população. Os fatores listados por especialistas como causas são vários. O primeiro deles, o aumento da frota no Ceará que é o terceiro do Brasil com mais motocicletas nas ruas, ultrapassando um milhão, do total de 2,2 milhões de veículos. A cada ano, mais 500 transportes de passeio são inseridos à frota do Estado. Enquanto isso, 1,3 milhão de pessoas estão habilitadas. O Detran aplica 80 mil infrações por ano.
No Brasil, são mais dois de milhões de motos no mercado neste ano. Como consequência, 36 condutores mortos para cada milhão de habitantes. As cidades já não comportam a imensa quantidade de veículos nas ruas, como alerta o diretor geral do Instituto de Segurança Viária da Fundação Mapfre, Julio Laria del Vas, que fez uma análise do aumento das ocorrências de trânsito na América Latina.
Boa parte desse problema se deve à falta de segurança dos motociclistas, como aponta o diretor. O Brasil e também o Ceará não possuem planos de segurança específicos. A AMC revela que medidas estão sendo tomadas para amenizar os acidentes, como o mapeamento das áreas mais problemáticas a fim de balizar as ações. Com a municipalização do trânsito, as iniciativas são mais específicas, conforme a AMC. Contudo, dos 184 municípios cearenses, 54 não têm departamento de trânsito, o que dificulta uma fiscalização pontual.
Ao Detran cabe a fiscalização de motociclistas sem carteira. O programa de habilitação popular tem ajudado muito no que diz respeito ao treinamento. Quanto às fiscalizações, são 32 equipes por semana. O resultado é de 200 motociclistas autuados sem habilitação e sem capacete. A escola de educação de trânsito realiza atividades lúdicas e capacita 25 mil alunos.
Diário do Nordeste

