
O motorista da van que foi o primeiro suspeito de atrolepelar uma criança de cinco anos na Avenida Santos Dumont, em Fortaleza, passou sete dias detido e diz ter apanhado dos presos. “Aquilo foi um inferno”, disse Marcos José Barbosa da Silva sobre a prisão.
Silva foi identificado como suspeito e preso porque o avô do menino anotou a placa da van que ele conduzia, mas na terça-feira (5), o 15º Distrito Policial informou que um segundo veículo foi o responsável pelo acidente. As imagens das câmeras dos prédios vizinhos mostraram que o carro de Silva estava parado no momento do acidente. O menino Adler Duarte estava em uma bicicleta com um amigo da família no caminho da escola quando atingido por uma van e morreu no local no último dia 26 de fevereiro.
“Me batiam no banheiro, jogaram garrafas de água em mim. Pisaram em mim, cuspiram em mim. Fui totalmente humilhado dentro daquela delegacia”, afirma Silva. O motorista conta que somente quando chegou na empresa em que trabalha soube do atropelamento da criança por meio de policiais que chegaram e afirmaram que o carro dele foi identificado pelo avô da criança, testemunha do atropelamento.
Escoltado pela polícia e com medo de ser linchado, Silva diz ter sido conduzido até a delegacia, onde prestou depoimento. “Disse [para o delegado], eu não sei se fui eu. Eu não sei porque eu não senti nada de estranho no carro. E aí delegado me autuou em flagrante e me mandou pra cadeia”, disse ele, completando, “[a lembrança] vai ficar pra sempre isso em mim, nunca vou esquecer o que aconteceu”.
Ainda de acordo com o motorista da van, o verdadeiro autor do atropelamento, em nenhum momento se manifestou ou procurou a polícia. O Delegado Anízio Justa informou que encaminharia as imagens das cameras dos prédios para a perícia.
G1 CE

