LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA
A professora e assessora pedagógica da Secretaria de Educação de Viamão, Priscila Rosa da Silva, de 41 anos, foi assassinada a tiros pelo ex-marido na noite desse domingo (9), no bairro Lomba do Pinheiro, em Porto Alegre.
O crime aconteceu na casa da mãe da vítima, que presenciou o assassinato. As duas mulheres assistiam à televisão, por volta das 21h, na Rua José Vicente, quando o agressor invadiu o local e atirou contra Priscila.
O suspeito, identificado como Eduardo Lopes dos Santos, de 43 anos, ex-marido da vítima, tirou a própria vida logo depois de cometer o crime, segundo a Polícia Civil.
Medida protetiva e histórico de ameaças
De acordo com a Polícia Civil, o casal ficou junto por 19 anos e estava separado havia cerca de seis meses. Desde a separação, Priscila vinha sofrendo ameaças do ex-marido e havia obtido, em fevereiro deste ano, uma medida protetiva de urgência na Justiça.
A delegada Fernanda Campos, da 2ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (2ª Deam), responsável pela investigação, informou que o agressor já teria descumprido a ordem judicial em outras ocasiões. Como as violações não chegaram a ser registradas em boletim de ocorrência, ele não foi preso.
O caso chama atenção porque, segundo levantamentos da própria Polícia Civil gaúcha, a maioria das vítimas de feminicídio no Estado não havia formalizado denúncias antes de serem mortas: a delegada Waleska Alvarenga, diretora da Divisão de Proteção e Atendimento à Mulher (Dipam/DPGV), afirmou que quase 75% das vítimas de feminicídio não possuíam ocorrência policial prévia e cerca de 95% não tinham medida protetiva vigente no momento do crime.
Ainda de acordo com a delegada, o feminicídio costuma ser o desfecho de um ciclo de violência que não foi interrompido a tempo.
Feminicídio é o 47º do ano no RS
O assassinato de Priscila é o 47º feminicídio registrado neste ano no Rio Grande do Sul, segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP-RS). O Estado já havia fechado o primeiro semestre de 2026 com 41 mulheres vítimas desse tipo de crime, um aumento de 14% frente ao mesmo período de 2025 e o maior número para um primeiro semestre desde 2023.
Um levantamento paralelo da ONG Lupa Feminista, que usa metodologia própria, contabiliza um número ainda maior de mortes por razões de gênero no mesmo período.
Quem era a vítima
Priscila era servidora concursada da Prefeitura de Viamão havia 11 anos. Nos últimos seis, atuava como assessora pedagógica na Secretaria Municipal de Educação (Smed). Antes disso, lecionou na Escola Municipal de Ensino Fundamental Frei Pacífico, no distrito de Itapuã.
Em nota, a Prefeitura de Viamão lamentou a morte da servidora e destacou sua “trajetória, contribuição e dedicação à educação pública do município”, estendendo solidariedade a familiares, amigos e colegas de trabalho.
Onde buscar ajuda
Mulheres em situação de violência doméstica podem denunciar pelo Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher), disponível 24 horas, ou procurar diretamente uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Em caso de risco iminente, a orientação é acionar o 190 (Brigada Militar/Polícia Militar).

