Uma mulher morreu após ser baleada e arrastada pelo carro da Polícia Militar na zona norte do Rio de Janeiro, nesse domingo (16). A vítima Claudia Silva Ferreira, de 38 anos, foi atingida por uma balada durante uma troca de tiros entre Polícias Militares e traficantes do Morro da Congonha, em Madureira. Na ocasião, os militares colocaram o corpo da vítima no porta-malas da viatura, mas a mesma ficou aberta.
Ela foi arrastada por cerca de 250 metros. Pedestres tentaram alertar aos agentes, mas eles não ouviram e continuaram a viagem. Segundo testemunhas, eles só ouviram quando parou em um sinal de trânsito. A ação foi gravada por um cinegrafista amador que passava pelo local. A Polícia Militar informou que foi determinada prisão imediata dos três policiais militares do 9º BPM que participaram do socorro a Claudia. Também foi aberto um Inquérito Policial Militar para averiguar o caso.
Protesto:
Cerca de cem pessoas interditaram, por volta das 13h40 desta segunda-feira, as duas pistas da Avenida Ministro Edgard Romero, principal via de Madureira, Zona Norte do Rio. Carregando faixas pretas e com críticas à Polícia Militar, os manifestantes protestam contra a morte da auxiliar de serviços gerais Claudia Silva Ferreira, de 38 anos.

Muito emocionado, o marido de Claudia, o vigia Alexandre Fernandes da Silva, de 41 anos, disse que a mulher “foi tratada como bicho”. “Nem o pior traficante do mundo deveria ser tratado assim. Claudia havia acabado de sair de casa, por volta das 8h, para comprar pão, quando um grupo de quatro ou cinco policiais entrou na comunidade. Não teve troca de tiros com traficantes, só os PMs atiraram. Se ela tivesse ficado em meio ao fogo cruzado, teria sido atingida pelos dois lados, e não foi isso que aconteceu. Ela era guerreira, determinada, batalhadora, objetiva. Era pau para toda obra. Até a assentar tijolo ela aprendeu para me ajudar com a construção da nossa casa. O jeito agora é ter força para criar nossos quatro filhos”, disse o viúvo.
O feirante Carlos Roberto Francisco da Silva foi a primeira pessoa que encontrou Claudia depois de ser baleada. “Eles (os policiais) viram os bandidos correndo e começaram a atirar. Cheguei a avisar para terem cuidado porque havia vários moradores na rua. Escutei os tiros e, quando fui ver, minha comadre (Claudia) já estava caída no chão”, contou Silva. A filha caçula da vítima, de 10 anos, estava em casa quando ouviu os disparos. “Acordei com o barulho e, quando fui ver o que estava acontecendo, vi minha mãe caída no chão. Ela não estava consciente e vi quando os policiais a colocaram na caçamba da viatura”, disse a menina (com informações Veja).
Assista o vídeo:
*Cenas fortes, advertência de conteúdo impróprio para menores
http://www.youtube.com/watch?v=VxKT392O5T0#t=12

