Estamos a menos de um biênio para realizarmos, no Brasil, o evento internacional de maior brilho no cenário mundial do futebol: a Copa do Mundo.
Instituições e corporações se articulam para torná-la intransponível, seja no plano da criatividade e até mesmo da inovação, visto ser esse o momento oportuno para empresas se projetarem, produtos conquistarem um número crescente de consumidores, profissionais e atletas alcançarem notoriedade…
Enquanto isso, nas escolas, o professor procura motivar o aluno para assistir contínuas aulas disponibilizando apenas de giz e voz, disputando espaço e atenção com aparelhos celulares moderníssimos, e até mesmo, em alguns casos, com notebooks a tablets de última geração, dentre outros dispositivos eletrônicos.
Em consequência da precária estrutura física das escolas, da inadequação e inconstante funcionalidade do transporte escolar, da insuficiência da merenda, da precariedade dos recursos pedagógicos é que os resultados de avaliações externas a nível estadual como o SPAECE, de alcance nacional como a Prova Brasil, bem como de abrangência internacional como o PISA são tão pífios.
O leitor dessa coluna deve está se questionando: Que relação existe entre a Copa do Mundo e os comprometedores resultados da educação?
Não se pode negar que muitos investidores apostam todas as fichas em empreeendimentos notórios, expansivos, capazes de produzir efeitos imediatos, suficientes para impressionar povos e nações.
Na contramão da vitrine esplenderosa do “sucesso” caminha a educação, que quando adequadamente articulada resulta na formação de cidadãos produtivos e reflexivos, questionadores dos seus direitos, cumpridores dos seus deveres, conscientes o suficiente para desbancar os chefes que ainda não desenvolveram a competência de liderar, que ainda reproduzem o ciclo ultrapassado da governabilidade pautada na imposição e cumprimento de ordens.
E assim, leitor desta coluna, o tempo é oportuno para que abandonemos a inércia da espera por “milagres”. Nós, que somos povo, não podemos mais esperar. Tornemo-nos propagadores de propostas e projetos que garantam o bem-estar coletivo. A educação é o ponto de partida para a transformação profunda, para que não assistamos a mais um espetáculo onde seus idealizadores brilhem, e o povo, que paga a conta, apenas aplauda e comemore uma conquista que não lhe pertence.
___________________________
As opiniões expressas pelos colunistas não representam, necessariamente, a linha editorial do Portal OKariri.

