O cancelamento do debate da Globo e a grande audiência alcançada por entrevistas e transmissões pela internet levantam uma pergunta que ganha cada vez mais espaço nas campanhas eleitorais: os debates entre candidatos ainda têm o mesmo peso na decisão do eleitor?
Durante décadas, os debates televisionados foram tratados como momentos importantes das eleições. Era uma das poucas oportunidades para o eleitor acompanhar, em um mesmo espaço, diferentes candidatos apresentando propostas, respondendo perguntas e confrontando suas ideias. Hoje, porém, a realidade da comunicação política mudou. Redes sociais, podcasts, entrevistas e transmissões ao vivo permitem que candidatos falem diretamente com milhões de pessoas, muitas vezes sem a mediação das emissoras tradicionais.
O episódio envolvendo o debate da Globo também mostra essa transformação. Enquanto o confronto televisivo foi cancelado, Lula participou de uma entrevista no Flow Podcast, que alcançou grande audiência, enquanto Flávio Bolsonaro realizou uma transmissão própria pela internet. A atenção do público, portanto, não desapareceu: ela migrou para outros formatos e plataformas.
Diante desse cenário, fica a questão para o eleitor: os debates ainda são fundamentais para comparar candidatos e definir o voto ou passaram a ser apenas mais uma das muitas fontes de informação disponíveis durante uma campanha? Em uma eleição marcada pela força das redes sociais e das plataformas digitais, até que ponto um debate pode influenciar uma decisão que, muitas vezes, já começou a ser construída muito antes de o candidato subir ao palco?

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