Umari tem água da Cagece amarelada

Moradores reclamam que o recurso hídrico que sai das torneiras tem cor, cheiro e gosto desagradável. Há casos de alergias na pele (FOTO: ROBERTO CRISPIM/DIÁRIO DO NORDESTE)

Moradores de diversas ruas da sede de Umari cobram junto a Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) a apresentação de um laudo que comprove a qualidade da água que está sendo distribuída à população.

Conforme os moradores, após a troca do local de onde a água é retirada para distribuição, houve queda na qualidade do líquido que é consumido. “A água está chegando amarelada. Com cheiro e gosto desagradável”, afirma a dona de casa Maria do Nascimento Ferreira. Segundo ela, vizinhos reclamam que passaram a sentir coceiras e dores de barriga após o uso da água. “Tem gente que só vive com dor de barriga. E, aqui do lado, a filha de um vizinho já tem feridas por causa da coceira”, conta a moradora.

A água que está sendo distribuída pela Cagece na parte alta da cidade, principalmente no bairro Alto da Delegacia, está sendo extraída de um cacimbão particular. O local foi cedido à empresa pelos proprietários e está localizado às margens de um terreno por onde escorre todo o esgoto da cidade.

“Eu mesmo não bebo dessa água de jeito nenhum. Todo mundo sabe que ali onde estão retirando a água corre o esgoto da cidade. Só pode ser água contaminada essa que a Cagece está distribuindo”, avalia o agricultor José Antônio Duarte. Ele afirma ter medo de consumir o líquido e contrair doenças. “Deve ter um monte de bactérias nessa água”, acredita ele.

O caso chamou a atenção das autoridades municipais. O vice-presidente da Câmara de Vereadores de Umari, Vidal Falcão Teixeira, solicitou que a Casa encaminhe ofício à Cagece solicitando a imediata apresentação de laudo técnico que comprove a qualidade da água que está sendo distribuída. “Nós estamos recebendo, quase que diariamente, queixas da população que está preocupada em saber se há, ou não, qualidade na água que a companhia está oferecendo aos seus consumidores”, informa o vereador.

O requerimento apresentado pelo parlamentar foi subscrito pelos outros oito vereadores que compões a atual legislatura. Conforme ele, a companhia tem até a próxima quinta-feira, para apresentar o documento. “Se a empresa não atender ao requerimento nós buscaremos o auxílio do Ministério Público”, afirma.

O Conselho Municipal de Saúde também deverá encaminhar documentos cobrando informações da Companhia. “Nós estamos coletando assinaturas para, já na próxima segunda-feira, apresentarmos documento ao promotor de Justiça da comarca, e à Cagece, solicitando providências em relação à liberação dos diagnósticos”, informou o presidente do colegiado, Josué Barros Júnior.

Para a secretária de Meio Ambiente do Município, Maria Eugênia Brasil, mesmo com a existência do escoamento do esgoto às margens do cacimbão, a população deve aguardar que seja comprovada existência de algum tipo de contaminação na água. “Não se pode afirmar que a água não possua qualidade. Esse tipo de afirmativa só pode ser feita quando da apresentação do laudo pela Cagece”, avalia a secretaria.

Amostras

Por via das dúvidas, o coordenador do Departamento de Vigilância Sanitária da cidade, Gonçalo Wilfrido, determinou a coleta de amostras da água. “As amostras coletadas diretamente no cacimbão utilizado pela Cagece e serão realizados exames físico-químico, organoléptico e bacteriológico”, informou o coordenador. As amostras foram encaminhadas ao Laboratório Central (Lacen) em Icó. Os resultados deverão ser apresentados até a próxima quarta-feira, 18.

Através da Assessoria de Imprensa, a Cagece informou que garante a qualidade da água distribuída à população.

Em nota, a companhia afirma realizar, constantemente, análises de modo a aferir a qualidade da água distribuída. Estas análises, inclusive nos últimos dias, mostraram resultados dentro dos padrões exigidos pela Portaria 2914 do Ministério da Saúde, nos quesitos físico, químico e bacteriológico.

Os moradores que estiverem com dúvida com relação à qualidade da água podem encaminhar suas reclamações à Cagece, que serão feitas análises em suas residências.

Diário do Nordeste

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