
FOTO: GABRIEL GONÇALVES
Os atendimentos do Serviço de Verificação de Óbitos (SVO), no bairro Messejana, em Fortaleza, foram interrompidos durante o feriado prolongado do Dia de Finados (na sexta-feira e no sábado). De acordo com o jornal O Povo, o motivo foi o encerramento do contrato da Secretaria da Saúde do Estado com a empresa terceirizada responsável pela contratação dos médicos patologistas. Por falta de laudo oferecido pelo SVO, familiares que perderam parentes por causa natural tiveram de aguardar quase três dias para liberação dos corpos.
Pessoas que tiveram morte natural no feriado acabaram sendo enviadas para a Perícia Forense do Ceará (Pefoce), o antigo IML, na avenida Leste-Oeste. Segundo informações de um médico da perícia, que pediu para não ter o nome revelado, a sede da instituição recebeu cerca de 10 corpos nos dois dias, mas não pode realizar qualquer procedimento para a liberação dos corpos. Isso porque a Pefoce é responsável apenas pela avaliação de causas de mortes violentas.
No início da tarde de ontem, a senhora de 60 anos aguardava, desde sexta, 2, o envio do corpo do marido da Pefoce para o SVO. A dona de casa Nazinha Mesquita diz que o marido morreu em casa, após sentir que estava passando mal. Ela reclama do “desrespeito” pelo qual passou. “Eles não têm respeito por ninguém, nem pelos mortos. Estou aqui desde as seis da manhã, com muita fome e não resolveram ainda”.
O médico informou que a situação na Pefoce “está um sufoco”. O funcionário conta que, durante o plantão, a Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (Ciops) passou “o tempo todo telefonando para (a Pefoce) pegar corpo de morte natural. Tinham muitos delegados sem querer emitir guia (cadavérica)”, conta.
Apesar do relato do médico, o perito geral da Pefoce, Maximiano Leite disse que o atendimento “não fugiu da normalidade”. De acordo com ele, as mortes de causa natural já não são analisadas pela perícia e, portanto, não houve sobrecarga no atendimento. Quando questionado sobre a espera dos familiares para a liberação dos corpos, o perito geral afirmou que a quantidade de cadáveres que chegou do SVO foi de apenas três.
O titular da Sesa, Arruda Bastos, não soube precisar a quantidade de médicos que interromperam o trabalho na sexta e no sábado. O problema da suspensão do atendimento já foi resolvido na noite de sábado e, segundo ele, o SVO já voltou a funcionar. Bastos frisa que os funcionários técnicos continuaram trabalhando normalmente. O secretário disse ainda que é inexistente a demora para a liberação dos corpos. “Cerca de 90% dos casos que chegam ao SVO são de corpos que não precisariam passar pela análise”, acrescenta.

