
O primeiro caso confirmado da Gripe A, como é mais conhecida a doença provocada pelo vírus Influenza A (H1N1), em Quixeramobim, está começando a preocupar a população desta cidade do Sertão Central.
Muita desinformação sobre uma paciente transferida para Fortaleza aumentou a especulação sobre novos casos.Com isso, o coordenador da Vigilância Epidemiológica de Quixeramobim, Cedric Fernandes, foi às emissoras de rádio da cidade dar conhecimento sobre o caso e tranquilizar a população. Mesmo assim o medo está aumentando. Ontem o Diário do Nordeste publicou a divulgação da Secretaria de Saúde do Ceará (Sesa), confirmando 10 mortes pela gripe neste ano.
Dos 10 óbitos confirmados pela Sesa até o fim de junho, quatro deles foram registrados no Sertão Central. Conforme a lista do boletim epidemiológico do Influenza, o quinto óbito no Estado foi de um homem de 54 anos, residente em Boa Viagem, sem fatores de risco. O registro seguinte, o sexto óbito por Influenza A, foi de uma mulher de 32 anos, residente em Milhã, portadora de doença genética. O nono óbito, também por cepa pandêmica, foi de um paciente do sexo masculino, 44 anos, residente em Senador Pompeu, sem fatores de risco.
Tratamento
O último óbito, pelo mesmo sintoma, foi de uma mulher de 38 anos, residente em Quixeramobim, sem fatores de risco. Nenhum deles era vacinado.
Conforme Cedric Fernandes, a situação na cidade é de alerta. O estado de saúde da paciente, uma mulher, fumante, de 45 anos, é considerado grave. Ela esta na UTI. Outro paciente está recebendo tratamento com o antiviral Tamiflu.
A Secretaria de Saúde do Município tem o medicamento disponível para quem precisar, mas a medicação será administrada somente após critério clínico, consulta médica e exames confirmando a infecção.
Cedric ainda esclareceu não ser necessário correr para as farmácias a procura de mascaras. Havendo necessidade, somente quem apresentar a doença ou suspeitas, deve usar.
Quanto à vacina, o coordenador explicou terem sido imunizados este ano 14 mil moradores, dentro do perfil estabelecido pelo Ministério da Saúde, dentre eles crianças, gestantes e idosos. A Secretaria de Saúde do Município ainda tem estoque para aproximadamente 800 doses.
Queixas
A agente de saúde Ivani Ferreira da Silva reclamou do número limitado de vacinas. Ela abordou o assunto durante a reunião promovida pela equipe da vigilância sanitária de Quixeramobim ontem pela manhã com os moradores do bairro Rodoviária, onde ela e a paciente residem.
Segundo a agente a vizinhança está em pânico. Mesmo assim, somente cerca de 30 moradores compareceram a reunião de esclarecimento.
Com mais de 20 anos de atividade nos programas de saúde da família, a opinião da agente de saúde é que a dose da vacina antiviral deveria ser disponibilizada para toda a população e não somente para alguns grupos. Ela lembrou ter sido imunizada por conta do ofício, porém, os seus os dois filhos, um deles com 17 e o outro com 19 anos, não tiveram o mesmo direito. Ela tinha conhecimento do valor da dose nas farmácias da capital a R$ 180,00.
O coordenador da vigilância sanitária afirmou custar R$ 80,00, “mas mesmo assim, para quem recebe somente o salário se proteger acaba pesando no orçamento familiar”, observou a servidora.
Dificuldades
O operário Carlos Rodrigues é um deles. Se tirar o dinheiro para a vacina deixa de pagar o aluguel. Mesmo assim as explicações do coordenador da Secretaria de Saúde o tranquilizaram, apesar de demonstrarem a situação de risco provocada pela gripe A. Ele aproveitou a oportunidade para solicitar às emissoras de rádio, principal veículo de comunicação da cidade, para abordarem o problema com transparência, orientando a população, com mais informações sobre a doença. Quanto mais rápido for combatida menos pessoas vão correr riscos.
Diário do Nordeste

