
A operação de transferência de água do Açude Flor do Campo, de Novo Oriente para Crateús, iniciada nesta segunda-feira, continua alvo de polêmica na região. Os protestos são de manifestantes do movimento pró-adutora, que desde o anúncio feito pela Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), em março, se posicionaram contra a operação. Não aceitam a forma adotada de planejamento para evitar o colapso de água em Crateús.
O movimento pró-adutora mostra revolta e indignação contra a operação, iniciada na madrugada, surpreendendo a população. E dá continuidade ao movimento contrário à ação, que consideram inadequada devido ao desperdício de água.
Temem que a água não chegue a Crateús devido a pouca força e os desafios naturais ao longo do percurso de aproximadamente 40km. Já a Cogerh avalia as primeiras horas da operação como satisfatórias.
Durante a segunda-feira, primeiro dia da transferência, a movimentação foi intensa no local. Representantes de movimentos sociais, contrários à operação, como sindicatos, Igreja Católica representada pelas paróquias, pastorais e Comissão Diocesana de Justiça e Paz, estiveram no local, observando o curso seguido pela água. De forma pacífica, lamentavam a liberação da água pelo leito do rio. O clima de oração permanece, com a realização de missas e celebrações ao lado das comportas do açude.
Para o Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Novo Oriente, a atitude do Governo foi covarde e teme o insucesso da operação.
“Não acredito que a água chegue a Crateús, o desperdício vai ser maior do que nós do movimento pensávamos. O governador agiu com covardia em liberar na segunda-feira, antes do combinado, que era quinta-feira. Esperamos que ele construa a adutora, conforme prometeu”, ressaltou Maria Luisa, presidente do Sindicato. O padre Alexandre Fonseca, pároco de Novo Oriente e um dos primeiros a se posicionar contra o plano da Cogerh, lamentou a atitude da Companhia.
“É lamentável a ação do governador em desperdiçar tanta água. Lamentável ver toda essa água se estragando. Continuaremos aqui em clima de oração e lutando, e pedimos que todos façam orações para que não nos falte água”, lamentou.
Responsabilidade
A Comissão de Justiça e Paz da Diocese de Crateús considerou a ação autoritária por parte do Governo e defenderá uma ação de responsabilidade por meio do Ministério Público. José Arteiro Soares Goiano, membro da Comissão e Promotor de Justiça, demonstrou indignação.
“O pouco da água que nos resta está sendo desperdiçado e o governo deveria ser para planejar ações de longo prazo e não para realizar ações dessa natureza. Defenderei no Ministério Público uma ação de responsabilidade por parte do Governo do Estado”, destacou Goiano.
Visitação
Populares que visitam o local e agricultores que residem nas proximidades da área também temem que a operação não obtenha êxito. A preocupação é que a água não chegue a Crateús.
“Sou contra porque vai perder muita água e vai demorar muito a chegar em Crateús, chega lá para o mês de outubro porque a água está sem força e a terra muito seca. A preocupação do mundo hoje é em economizar água e aqui desperdiçando. Não acho certo”, frisou o agricultor Manoel Luciano, que reside a 11km do local, na localidade Sítio Favelas.
O assunto repercute também nas redes sociais. Alguns internautas são a favor e muitos se colocam contra a operação. Populares de Novo Oriente e Crateús opinam sobre o assunto e inclusive acompanham o trajeto da água. Já há vídeos que mostram a lentidão da água em localidades como Santa Maria e Xique Xique, cerca de 6km distante do açude.
Tranquilidade
Para o prefeito de Crateús, Carlos Felipe, o sentimento é de tranquilidade. “Saber que a água já foi liberada e que não teremos problemas de abastecimento de água até o início do próximo ano, nos tranquiliza muito”.
De acordo com Carlos Felipe, “o conflito chegou ao fim, fica uma consciência positiva formada após o embate. O movimento contrário a operação teve a sua importância na problemática”, afirmou o prefeito.
Na avaliação da Cogerh, a operação está superando as expectativas. O órgão realiza o monitoramento de forma contínua no local. “Estamos acompanhando o trajeto da água com medições contínuas e está superando as nossas expectativas: em pouco mais de dez horas a água já percorreu 4,5km”, destacou Rodrigues Júnior, gerente do escritório local da Companhia.
Diário do Nordeste

