
Diário do Nordeste
A indefinição é, hoje, a marca do Réveillon em Fortaleza. Até esta data, nem a população da Capital e nem os turistas sabem se haverá festa ou não. Alguns hotéis já sentem a queda no número de reservas e as desistências.
No entanto, no próximo dia 19 de dezembro, serão abertos os envelopes, resultado da licitação para a infraestrutura (montagem e desmontagem) do Réveillon, de acordo com a Secretaria de Turismo de Fortaleza. Mas isso não quer dizer que o show aconteça, como informa a assessoria de imprensa da prefeita Luzianne Lins. “Estamos trabalhando para isso”, limita-se a dizer a assessoria.
No Hotel Luzeiros, por exemplo, a ocupação é de 80% e em muitos outros ainda há vagas para a data. Em anos anteriores, no mês de agosto, a ocupação era de 100% em todos os hotéis. Embora o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Ceará (ABIH-CE), Régis Medeiros, coloque que o setor, de um modo geral, ainda não está sentindo a queda nas reservas, já que alguns pacotes foram fechados com antecedência. Segundo ele, muitos hóspedes vêm aproveitar a cidade nesta época e não somente para a festa da virada.
Sobre as atrações musicais do evento, caso aconteça, nada foi confirmado. Tudo está ainda na base das suposições. A produção da cantora Claudia Leitte disse estar negociando com a Prefeitura de Fortaleza para fazer o espetáculo do Aterro da Praia de Iracema, mas não há confirmações por parte da gestão municipal.
Também não há certeza de que a festa de Réveillon dos bairros de Messejana e Conjunto Ceará vai acontecer.
De concreto mesmo, apenas o show pirotécnico que já está sendo preparado, por antecipação, pela empresa Arte &Fogos Promoções Ltda, de Minas Gerais, mesmo sem saber se ela será a vencedora da licitação.
Para o socio proprietário, Márcio Santana, é um tiro no escuro, porque o investimento é alto. “Além dos gastos com mão de obra – estamos com 15 homens trabalhando no galpão -, ainda vamos perder outros contratos por falta de tempo hábil”, revela. Será uma perda de R$ 350 mil só de material, como destaca o proprietário. Márcio conta que a empresa recebeu convites de outras cidades para fazer o Réveillon, mas, como já vem atuando em Fortaleza há cinco anos, preferiu correr o risco.
O proprietário explica que a preparação para o show requer 15 dias para o projeto e mais 20 para a montagem. Além disso, eles precisam estar em Fortaleza cinco dias antes do dia da virada para criar toda a estrutura.
“Estranhamos o atraso neste ano”, comenta. Mas, apesar da incerteza, Márcio garante que o show pirotécnico será o melhor de todos, caso a empresa ganhe e a festa aconteça. “Serão 30 minutos de queima de fogos e mais um minuto que poderá ser acrescido. A extensão das bombas aquáticas será maior, com cores e formatos diferentes”, adianta.
O proprietário da Arte&Fogos afirma que a repercussão sobre a indefinição do Réveillon de Fortaleza abalou muito o turismo. “Muita gente daqui está de desistindo de ir”, conta.
Esquemas de trânsito, transporte e segurança para a virada também não foram definidos. Nem mesmo a abertura para cadastramento dos ambulantes foi feita. A Secretaria Regional II, responsável pela fiscalização e cadastro, avisa que, como não tem nada certo, não foram abertos os registros para quem vai trabalhar no dia da festa.
Garantias
A assessoria de imprensa do prefeito eleito Roberto Cláudio reitera que o futuro gestor de Fortaleza confirma que dará as garantias que lhe cabem para que a festa aconteça. Mas, no que diz respeito ao investimento financeiro, o futuro gestor deixa claro que é obrigação constitucional da atual gestão arcar com todas as despesas para a realização do Réveillon.
Na última festa da virada, de 2011/2012, 1,5 milhão de pessoas participaram. Nessa sétima edição, o Réveillon do Aterro da Praia de Iracema atraiu fortalezenses e turistas e se consolidou como um das mais tradicionais do País, tendo como atração principal a cantora Ivete Sangalo. A cada ano, a festa teve um público mais significativo. Na virada de 2010/2011, 1,2 milhão aproveitou os shows.
Custos
5,5 milhões de reais foi o custo do último Réveillon de Fortaleza. Festas anteriores foram questionadas pelo Ministério Público por valores elevados.

