
A atividade econômica do Ceará apresentou alta em fevereiro deste, em comparação com o mês imediatamente anterior. A informação foi divulgada ontem pelo Banco Central, através do Índice de Atividade Econômica (IBC-Br). Conforme o indicador, o ritmo de crescimento do Estado cresceu 1,30%.
O aumento registrado no Ceará superou o resultado apresentado pelo Nordeste, de 0,30%, e do Brasil, de 0,36%. Os dados são dessazonalizados, o que significa que foram descontados os impactos de diversos fatores sobre a economia em determinadas épocas do ano.
O resultado do Ceará, que contabilizou 146,03 pontos no levantamento, superou os dados de janeiro (145,5 pontos) e dezembro último (145,66) pontos), mas ficou atrás do desempenho de novembro do ano passado, que teve 146,50 pontos.
Já em relação a fevereiro de 2014, o Ceará registrou elevação de 5%. O resultado foi 2,5 pontos percentuais superior ao índice registrado pelo Nordeste, no mesmo intervalo, que foi de 2,5%. Já o País apresentou queda entre fevereiro de 2014 e igual mês deste ano. Segundo o Banco Central, o recuo foi de 0,86% para o período.
Investimentos
De acordo com o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças no Ceará (Ibef-CE), Ênio Arêa Leão, o crescimento do Ceará acima da média nacional acompanha uma tendência já observada há várias edições do IBC-Br, devido principalmente aos investimentos que o Estado tem recebido – sobretudo em de infraestrutura. Entretanto, frisa, há o receio de que esse ritmo desacelere, por conta da redução dos investimentos públicos.
Ele cita a interrupção de obras por falta de recursos federais como um dos exemplos do processo de arrefecimento.
“E nós temos também que restabelecer a confiança dos atores econômicos, pra que eles não deixem de investir no País”, acrescenta Leão.
Prévia
Visto como uma espécie de sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-Br é uma forma de avaliar a evolução da atividade econômica. O índice incorpora informações sobre o nível de atividade dos três setores da economia: indústria, comércio e serviços e agropecuária.
O resultado apresentado na média nacional interrompeu dois resultados negativos seguidos do indicador. A alta de 0,36% também foi a melhor leitura desde julho de 2014, quando o IBC-Br teve alta de 1,48%, sempre em dados dessazonalizados. Em janeiro, o indicador havia caído 0,11% sobre o mês anterior, também em dados dessazonalizados.
Expectativa
A expectativa em pesquisa da agência Reuters era de queda de 0,20% em fevereiro na comparação mensal, de acordo com a mediana das projeções de analistas consultados. No ano, o IBC-Br acumula queda de 1,10%. Na comparação com fevereiro de 2014, o índice caiu 0,86%, e, em 12 meses, recuou 0,60 %.
Em 2014, a economia brasileira conseguiu apenas o crescimento mínimo de 0,1%, registrando o pior desempenho para os investimentos em 15 anos e com queda na produção interna e na importação de bens de capital. O desempenho este ano, entretanto, deve ser ainda pior. Analistas dão como certo que o PIB vai encolher, a exemplo dos especialistas consultados na pesquisa Focus do próprio BC, que projetam contração de 1,01%.
Indústria
Em fevereiro, a produção industrial mostrou perda generalizada entre as categorias e recuou 0,9%, anulando o ganho visto em janeiro. Já o varejo, outrora destaque da economia, contrariou as previsões e teve queda nas vendas, de 0,1%, em fevereiro, registrando na comparação anual a maior queda em mais de uma década, de 3,1%.

