Metade das vagas para os cursos de graduação da Universidade Federal do Ceará (UFC) será preenchida, a partir de 2014, por alunos que cursaram todo o ensino médio em escolas públicas. A oferta de 50% das vagas de cada curso e cada turno foi aprovada na manhã de ontem em reunião do Conselho Universitário (Consuni) da UFC. A outra metade das vagas fica disponível para ampla concorrência.
Dentro das cotas para alunos da rede pública, 50% das vagas se destinam a estudantes com renda familiar bruta igual ou inferior a 1,5 salário mínimo para cada membro. Para todas as vagas destinadas aos alunos da rede pública, será adotado o percentual mínimo referente à soma de pretos, pardos e indígenas no Estado – que chegam a 62% no Ceará, de acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2013, a UFC adotou o percentual mínimo previsto na Lei de Cotas aprovada no Congresso Nacional em agosto de 2012. Com aplicação do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), a instituição destinou 12,5% das vagas de cada curso para alunos da rede pública. Até 2016, a lei determina que todas as instituições federais de ensino superior do País devem adotar o percentual de 50%. De acordo com o reitor da UFC, Jesualdo Farias, a adoção das cotas foi positiva em 2013 e motivou a antecipação do cumprimento integral da lei. “Vimos que os estudantes da escola pública ingressam com notas boas e que não costumam ter dificuldades durante a formação”, defende.
Cotas
O reitor Jesualdo Farias avalia a mudança como ganho significativo para classes menos favorecidas. “Antes, os alunos das escolas públicas alcançavam de 10 a 15% em cursos como Medicina, Direito e nas Engenharias”, afirma. Atualmente, a UFC tem cursos com percentual de alunos oriundos da rede pública superior ao previsto pela Lei de Cotas. A maior participação deste grupo está no curso de Rede de Computadores (Quixadá), com 92,1%. Em Fortaleza, o curso com mais estudantes oriundos da rede pública é o de Letras – Espanhol.
O Povo

