O estudo Síntese de Indicadores Sociais (SIS) 2014 revela que 69% da população do Ceará tem renda familiar per capita de até um salário mínimo em 2013. O estudo foi divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Além disso, a pesquisa aponta que 48,4% dos rendimentos dos que ganham até 1/4 do salário mínimo daquele ano tinha origem em outras fontes, incluindo, principalmente, programas de transferência de renda como o Bolsa Família. No País, o percentual cai para 46,9%.
De acordo com o estudo, no Brasil, até 6,4% da famílias recebiam até um 1/4 do salário mínimo em 2013. No Ceará, essa proporção era de 15,6%. O percentual de famílias cearenses que ganhava mais de cinco salários mínimos era ainda mais baixo, 1,8% ante 4,8% no País. E no Brasil, 58% da população estavam no mercado formal no ano passado contra só 31,7% do Ceará. Isso significa, conforme o pesquisador do IBGE, André Simões, que 68,3% da população cearense ocupada está no mercado informal.
Para o economista e pesquisador do Laboratório de Estudos da Pobreza da Universidade Federal do Ceará (LEP-UFC), Marcelo Lettieri, os dados, em síntese, mostram que a desigualdade regional ainda é muito elevada no Brasil e que, apesar dos avanços, o Estado do Ceará continua sendo um dos mais pobres do País.
O economista Alex Araújo observa que o Ceará, historicamente, figurou entre os mais pobres, mas o baixo crescimento da indústria – que segundo ele foi mais forte no Estado -, deve ter afetado ainda mais o rendimento e a qualidade do emprego. “Permanecemos dependentes do Bolsa Família para ter um consumo mínimo que garanta a subsistência de um percentual grande da população”, analisa.
Araújo acrescenta que os baixos rendimentos têm relação direta com o baixo consumo e o peso da alimentação no orçamento familiar. Para ele, o estudo merece uma reflexão para saber se a política social e de atração de indústria está no rumo certo ou levando ao retrocesso.

