Milagres-Ce: Comunidade de “Vaca Brava” completa 100 anos; conheça a história

A comunidade do Sítio Vaca Brava em Milagres-Ce, comemora dos dias 01 a 14 de junho, os festejos alusivos ao Santo Antônio, padroeiro da comunidade. Esse ano os moradores tem um motivo ainda mais especial para festejar de forma mais intensa essa festa que já é considerada tradicional no município, pois se trata da comemoração dos 100 anos da localidade. Para festejar o centenário, os moradores se organizaram em um grupo de voluntários, aonde, desde o ano passado, vem desenvolvendo um trabalho religioso e de organização dos festejos.

A comunidade segue a tradição de cortar o “pau da bandeira” ao som da Banda Cabaçal e seguir em cortejo pelas estradas até a capela. Ao lado, está a foto da primeira imagem de Santo Antônio a ser venerada nas festividades. Calcula-se que tem mais de 100 anos | Fotos: Agência OKariri

História

Os primeiros moradores do Sítio Vaca Brava foram Antônio Miguel de Lacerda e Brazilino Anastácio de Souza que construíram as primeiras residências na localidade e passaram a morar, desde então. Brazilino é casado com Dona Chiquinha, carinhosamente conhecida como “Mãe Chiquinha”, e tem esse apelido por ser parteira das boas, carregando no seu currículo mais de 200 partos

A história da veneração a Santo Antônio, segundo os relatos de Raimundo Possidônio (bisneto de Mãe Chiquinha), dona Maria Raimunda da Conceição (filha de umbigo), conhecia como “Gaia” e Israel Freitas, conhecido como “Rael”, surgiu de uma promessa feita por Dona Chiquinha.

Uma ameaça ao seu filho

A parteira Chiquinha tinha um filho chamado Antônio, que trabalhava como “arrieiro” (aquele que inspeciona e cura os animais da tropa) em uma junta de burros. Antônio sempre fazia suas viagens para a Paraíba e Juazeiro do Norte e, em uma dessas viagens, resolveu dormir em Missão Velha quando já estava voltando.

Nessa pernoite, os burros que ele havia deixado no curral escaparam e o dono dos animais, que era da Paraíba, lhe enviou uma carta, onde lhe dava duas opções: ou ele encontrava uma forma de devolver os burros ou seria preso.

A promessa

Dona Chiquinha, ao saber da situação, fez uma promessa ao Santo Antônio. Prometeu que se o seu pedido fosse alcançado, celebraria todos os anos, a partir de então, uma “trezena” (treze dias de oração) em forma de agradecimento. Pouco tempo depois de feita a promessa os burros foram encontrados e devolvidos ao dono, concretizando assim o milagre.

Graça alcançada, promessa cumprida

Em 13 de junho de 1917 foi realizada a primeira Trezena de Santo Antônio e, desde então, a comemoração foi crescendo cada vez mais. Dona Chiquinha relatou um período em que a tradição foi ficando esquecida, mas disse que foi no ano de 2013, com o Projeto da Escola Profissionalizante Irmã Ana Zélia da Fonseca, denominado “Minha Cultura é de Fé”, que a tradição foi reavivada e toda comunidade voltou a festejar a Trezena de Santo Antônio.

“Minha Cultura é de Fé”

O projeto consistia em estudar as festas populares e dentre todas estudadas, estava a Trezena de Santo Antônio. A partir daí, a comunidade da Vaca Brava começou a perceber que era preciso resgatar aquela cultura que estava se perdendo.

Esse ano de 2017 é muito marcante para a comunidade da Vaca Brava, pois no dia 13 de junho, estará completando 100 anos dessa tradição de fé e cultura da Trezena de Santo Antônio.

Veja Fotos: 

- Publicidade - spot_img