Cariri: Violência atinge crianças, jovens, idosos e mulheres

Em oito anos, o Crato registrou 1.693 ocorrências de violência conta crianças, adolescentes, idosos e mulheres (Foto: Divulgação)
Em oito anos, o Crato registrou 1.693 ocorrências de violência conta crianças, adolescentes, idosos e mulheres (Foto: Divulgação)

O Crato está entre os municípios do interior do Ceará onde mais se pratica violência contra crianças, adolescentes, idosos e mulheres. De janeiro de 2007 a 21 de agosto de 2015, foram registradas 1.693 ocorrências envolvendo as quatro faixas sociais. Os crimes mais recorrentes são negligência, abuso sexual, exploração econômica, física ou psicológica.

A escala dessa criminalidade assusta ano após ano. Em 2007 foram 45 ocorrências, 203 em 2010, 275 em 2014 e, até o último dia 21 de agosto, já foram contabilizados 151 casos. Dos registros deste ano, foram abertos 148 procedimentos, dos quais seis foram concluídos e o restante ainda está em andamento.

A estatística da violência sexual contra crianças e adolescentes no Município, de 2012 a agosto deste ano, envolve 90 meninas e 61 meninos, totalizando 151 casos. Destes, 25 são oriundos da zona rural. Nos últimos seis meses e meio, os idosos, principalmente mulheres, têm sido o alvo escolhido pelos agressores. Os números, do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas), assustam a sociedade e preocupam as autoridades. Ana Hirlene Brito, coordenadora do Creas, acredita que as estatísticas desse tipo de crime vão além do que já foi contabilizado no Município.

Conforme Hirlene Brito, esse tipo de violência é consequência dos naturais conflitos sociais existentes. “A falta de políticas públicas que possam proporcionar adequada assistência à Saúde, Educação, Esportes e Lazer findam provocando a desestruturação familiar, resultando nas principais causas dessa macula social”, disse a coordenadora.

O Creas possui uma equipe multidisciplinar formada por advogados, psicólogos, assistentes sociais, pedagogos, assessor jurídico e educadores, para onde são levadas as vítimas. Elas recebem atendimento de acordo com o tipo de violência sofrida. Esses profissionais encaminham o caso à Policia Federal, Ministério Publico, Defensoria Pública, Policia Civil ou a outros órgãos competentes, para que as providências sejam tomadas.

De acordo com a coordenadora do Creas, essa parceria vem dando resultados positivos, muito embora os casos continuem ocorrendo. A coordenadora explicou que as autoridades conduzem esse processo com um olhar único, procurando solucionar os casos mais urgentes, os de maior complexidade e não esquecendo as demais ações necessárias. “É cada vez mais necessário dar celeridade às campanhas de conscientização sobre esses crimes ocorrentes nesses quatro grupos sociais”, completou Hirlene.

Na observação da psicóloga Amanda Reis Carvalho, esses tipos de ocorrência, na maioria das vezes, acontecem no próprio seio familiar, o que torna mais difícil a descoberta e o encaminhamento. Ela disse que a violência contra idosos é bem maior do que a cometida contra criança e adolescente, porém, pouco destacada pela imprensa e menos observada pela sociedade. “Os números registrados em Crato são exemplo disso. São 1.693 casos em menos de oito anos e seis meses, aproximadamente 176 ocorrências a cada 12 meses. Em média, 14 agressões diárias”, finalizou a psicóloga.

- Publicidade - spot_img