O governo de Minas Gerais concluiu em junho de 2026 a privatização da Copasa. A Equatorial Energia assumiu o controle da companhia após oferecer R$ 49,03 por ação, em uma operação de R$ 10 bilhões que busca abater a dívida do estado com a União e universalizar os serviços de água e esgoto.
Quem comprou a Copasa e qual o modelo da venda?
A vencedora foi a Equatorial Energia, que já atua nos setores de eletricidade e saneamento em outros estados. A Copasa deixou de ser uma estatal controlada pelo governo para virar uma ‘corporation’. Isso significa que o poder está dividido entre vários acionistas, mas o Estado mineiro mantém 5% das ações e o direito a uma ‘golden share’ — um mecanismo que permite ao governo vetar decisões estratégicas importantes.
Como o dinheiro arrecadado será utilizado pelo governo mineiro?
A operação deve injetar cerca de R$ 10 bilhões nos cofres públicos. O objetivo principal do governador Romeu Zema é usar esse montante para abater a bilionária dívida de Minas Gerais com a União por meio do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Essa era uma das metas centrais da gestão para equilibrar as contas estaduais.
O que muda para os municípios atendidos pela companhia?
O novo contrato estende as concessões até o ano de 2073. Além disso, as prefeituras poderão antecipar mais de R$ 350 milhões em repasses que receberiam apenas nos próximos anos, garantindo fôlego financeiro imediato para obras locais. Outro ponto relevante é que cidades que antes só tinham água encanada agora passarão a receber também serviços de coleta e tratamento de esgoto.
Haverá aumento imediato na conta de esgoto?
Um acordo firmado entre a Associação Mineira de Municípios (AMM) e a Copasa garantiu o adiamento da cobrança da tarifa de esgoto para 2029 nas cidades que aderirem ao novo modelo. Essa medida foi pensada para garantir uma transição mais suave, permitindo que os investimentos em infraestrutura avancem antes de o bolso do consumidor ser impactado pela nova taxa.
Qual é a principal meta da nova gestão privada?
O grande desafio é cumprir o Marco Legal do Saneamento até 2033. A lei exige que 99% da população tenha água potável e 90% tenha acesso ao tratamento de esgoto. Atualmente, em muitas cidades mineiras, o índice de esgoto tratado é muito baixo, em torno de 9,8%. A gestão privada precisará acelerar as obras e investimentos para tirar esse atraso em apenas sete anos.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

