Porto Seguro paga pescadores para conter invasão do peixe-leão na Bahia

A prefeitura de Porto Seguro, na Bahia, iniciou em setembro de 2026 um balanço de sua estratégia emergencial para conter a invasão do peixe-leão. Para proteger o ecossistema marinho e a segurança local, o município oferece R$ 10 por cada exemplar entregue por pescadores. A medida busca frear a rápida disseminação desta espécie venenosa que não possui predadores naturais nas águas brasileiras.

Como funciona o sistema de pagamento pela captura do animal?

A prefeitura de Porto Seguro adotou uma gratificação financeira como incentivo imediato para aumentar o volume de retirada do peixe-leão do mar. Os pescadores locais recebem dez reais por cada exemplar capturado e entregue à Colônia de Pescadores Z-22. Até o início deste mês de setembro, a iniciativa já resultou na remoção de 442 peixes. Essa bonificação faz parte de um plano de ação maior, publicado oficialmente em agosto, que envolve órgãos ambientais e pesquisadores para monitorar a presença da espécie e evitar que ela se estabeleça de forma permanente na região costeira.

Por que o peixe-leão é considerado uma ameaça tão perigosa?

Nativo do Indo-Pacífico, o peixe-leão é um predador generalista com altíssima capacidade de reprodução. O grande problema é que, no litoral brasileiro, ele não encontra predadores naturais eficientes, o que permite que ele se espalhe rapidamente e desequilibre o ecossistema dos recifes ao devorar espécies nativas. Além do dano ambiental, o animal oferece riscos à saúde humana: ele possui espinhos venenosos que podem causar acidentes dolorosos em pescadores, mergulhadores e banhistas. Por isso, o monitoramento é constante em áreas como o Parque Marinho do Recife de Fora.

Qual o destino dos peixes que são retirados do mar?

De acordo com as diretrizes do plano municipal, os animais capturados jamais devem ser devolvidos vivos à água. Em vez disso, os exemplares são encaminhados preferencialmente ao Laboratório de Ecologia e Conservação Marinha da Universidade Federal do Sul da Bahia. Lá, os cientistas realizam estudos detalhados sobre a biologia, alimentação e estrutura populacional da espécie. Esse trabalho de pesquisa é fundamental para gerar dados precisos sobre como a invasão está evoluindo, permitindo que as autoridades ajustem as estratégias de controle conforme surgem novas descobertas científicas.