Faz 31 anos que morria Raul Seixas, o cantor de ‘O dia em que a Terra parou’

Um dos grandes nomes da música brasileira morria em um dia como este, em São Paulo, em 1989. Raul Seixas morreu vítima de um ataque cardíaco, resultado do seu alcoolismo, agravado pelo fato de ser diabético e por não ter tomado insulina na noite anterior, o que provocou uma pancreatite aguda fulminante.

Com 14 anos de idade, Raul Seixas morava em Salvador, BA e fundou um fã clube de Elvis. Três anos depois, começou a cantar no grupo que ele mesmo criou, “Relâmpagos do Rock” | Acervo Foto na Historia

Nascido em Salvador, no dia 28 de junho de 1945, ele iniciou sua carreira musical em 1962, época em que a bossa nova estava em alta. Contudo, ele preferiu seguir a linha de sua influência rock and roll, associada a elementos da música nordestina como o baião, xaxado e música brega. Quando adolescente, Raul chegou a fundar um fã-clube brasileiro do cantor Elvis Presley.

O DIA QUE A TERRA PAROU

Mais de quarenta anos após o seu lançamento, a música “O dia em que a Terra parou”, gravada por Raul, voltou a fazer sucesso no país. A procura pelo hit nas plataformas digitais triplicou nos últimos tempos. E um vídeo com o título da canção postado no YouTube reunindo imagens de cidades famosas com ruas vazias por conta do isolamento social adotado para frear a propagação do Covid-19 já contabiliza quase meio milhão de visualizações. 

A letra que fala do dia em que pessoas do planeta inteiro resolveram que ninguém sairia de casa foi composta por Raulzito em parceria com o compositor Cláudio Roberto. Muitos acreditam que o título da canção premonitória batizou o álbum que o artista baiano lançou em 1977. Na época, os autores revelaram que a composição havia sido inspirada no filme homônimo de ficção científica lançado em 1951.

MAIS SOBRE RAUL

Sua primeira banda era chamada Os Relâmpagos do Rock, que mais tarde mudaria de nome para The Panthers e, finalmente, Raulzito e os Panteras. Contudo, a fama e o reconhecimento ainda estavam longe, tanto que no final dos anos 60 ele tentou a carreira como produtor na CBS, onde produziria e comporia para Jerry Adriani, Renato e Seus Blue Caps, Trio Ternura, Sérgio Sampaio e outros. Contudo, perdeu o emprego por usar o dinheiro da empresa, sem conhecimento dos seus superiores, na realização do seu LP, Sociedade da Grã Ordem Kavernista Apresenta Sessão das Dez.

O reconhecimento do seu trabalho aconteceria em 1972, quando foi às finais do Festival Internacionl da Canção, evento de música da Rede Globo, com Let Me Sing Let Me Sing e Eu Sou Eu Nicuri é o Diabo. A participação valeu um contrato a Philips Phonogram. Ele lançou um compacto com esta música e, mais tarde, um segundo, Ouro de Tolo, seu primeiro grande sucesso.

Era o começo de uma carreira promissora, em que produziu 21 álbuns de estúdio, ao longo de 26 anos. Entre seus parceiros musicais está o escritor Paulo Coelho. Eles começaram a formar em parceria o grupo Sociedade Alternativa, anarquista, baseado na doutrina de Aleister Crowley e também destinado a estudos esotéricos. O grupo foi considerado subversivo pelo regime militar brasileiro e ambos se exilaram nos Estados Unidos, entre 1973 e 1974. No exterior, Raul conheceria ídolos como Elvis Presley, John Lennon e Jerry Lee Lewis.

Nesta época, foi lançado Gita, possivelmente o seu maior sucesso de vendagens e repercussão. Depois, seguiram outros trabalhos igualmente bem aceitos pelo público como Novo Aeon, Há 10 Mil Anos Atrás (último em parceria com Paulo Coelho), Raul Rock Seixas, O Dia Em Que a Terra Parou.

A partir dos anos 80, a saúde de Raul Seixas mostrou sinais de fragilidade por conta do consumo de álcool. Contudo, ele seguiu trabalhando em projetos como Mata Virgem, Por Quem os Sinos Dobram, Abre-te Sésamo. Passou a sofrer de hepatite crônica em virtude da bebida e começou a ter problemas com contratos e shows.

Pouco antes de sua morte, em 1988, Raul compôs, gravou e excursionou com o também baiano Marcelo Nova, vocalista da banda punk Camisa de Vênus. Seu último LP, A Panela do Diabo, foi lançado dois dias antes de sua morte. Curiosamente, depois disso, Raul passou a ser mais venerado do que nunca e seus trabalhos póstumos foram todos sucessos de vendas. Até hoje é comum escutar o pessoal gritando “toca Raul” ao pedir música para bandas em bares e festas. (Fonte: History Play)

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