Escândalo na Petrobras: PF encontra elo entre PMBD e Transpetro

Ex-senador cearense Sérgio Machado volta ao noticiário nessa nova fase de investigação na Petrobras
Ex-senador cearense Sérgio Machado volta ao noticiário nessa nova fase de investigação na Petrobras

As lideranças nacionais do PMDB acordaram a segunda-feira (17/11), com mais uma preocupação: anotações na agenda do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato, revelam ligação entre Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de propinas na estatal, e a Transpetro, subsidiária que atua no setor de navios, segundo investigação da Polícia Federal. A Transpertro foi presidida, entre 2003 e 2014, pelo cearense Sérgio Machado. Após o início das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal, Sérgio Machado, indicado à época pelo senador Renan Calheiros (PMDB), foi obrigado a deixar o comando da Transpertro por exigências de auditores independentes contratados pela Petrobras.

De acordo com informações surgidas nesse final de semana, no caderno apreendido pelos agentes federais na casa de Costa, em março, quando a operação foi deflagrada, as anotações em sequência “FB” e “Navios” são interpretadas pelos policiais como Fernando Baiano e subsidiária da estatal, respectivamente. O registro indica também a data da reunião, com quem seria o encontro, assuntos e os valores de propina na Petrobras tratados entre o réu confesso do esquema de corrupção e o suposto operador do PMDB. Fernando Baiano está com a prisão decretada, mas fugiu.

A Polícia Federal suspeita que essa nova frente de investigação possa atingir o ex-senador e presidente licenciado da Transpetro Sérgio Machado. Machado está na mira das novas etapas da Lava Jato desde 8 de agosto, quando o delator afirmou em depoimento

ter recebido em mãos R$ 500 mil de Machado. O pagamento, ocorrido em 2012, seria referente a uma propina por locação de navios, cuja negociação fora intermediada pela diretoria de Abastecimento da Petrobras, sob o comando de Costa.

Segundo eles, todos os grandes contratos da estatal tinham cobrança de propina de até 3% em um esquema de loteamento de diretorias na estatal pelo PT, PMDB e PP, que abasteceu também o PSDB e o PSB. No mesmo item de assuntos a ser tratado no suposto encontro com “FB”, o delator da Lava Jato anotou siglas e nomes de executivos e empresas que se tornaram alvo da fase Juízo Final, a sétima da Operação Lava Jato. A Polícia Federal está convencida de que as iniciais QG são de Queiroz Galvão, uma das empreiteiras sob suspeita da Juízo Final.

O nome entre parêntesis é do executivo Ildefonso Colares, preso na sexta-feira. Os investigadores suspeitam que “R$ 3,0″ significa R$ 3 milhões. Há ainda a anotação “Engevix (Gerson)”. Trata-se de Gerson Almada, outro dos 23 detidos na carceragem da Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba.

Em um dos computadores da empresa Costa Global, aberta em 2012 pelo ex-diretor de Abastecimento, depois que ele saiu da Petrobras, o nome de Fernando Soares, o Baiano, aparece associado a valores. Num deles, o montante é de R$ 2,1 milhões. O registro foi anexado ao despacho do juiz federal Sérgio Moro nos pedidos de prisão da Lava Jato.

Logo após o surgimento de denúncias e citação do seu nome como envolvimento em possíveis irregularidades com recursos do sistema Petrobras – a Transpetro é uma empresa subsidiária da Petrobras, Sergio Machado declarou, por meio de sua assessoria, “ser mentirosa e absurda a acusação feita contra si por Paulo Roberto Costa”. O criminalista Mário de Oliveira Filho, que defende Baiano, foi enfático. “O Sr. Fernando não é lobista, nem

operador do PMDB, mas representante no Brasil de duas empresas espanholas.”

Já a Engevix, “por meio de seus advogados e executivos, prestará todos os esclarecimentos que forem solicitados”, diz em nota. Queiroz Galvão não respondeu à reportagem até a conclusão desta edição.

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